Boa tarde,
Hoje saltou-me à vista um cabeçalho do Observador, relativamente a uma entrevista a Bernardo Carvalho sobre o seu novo livro, Os Substitutos.
A citação relembrou-me o espectro feito na última aula, que analisava os livros que vão de encontro ao leitor e que chamam a atenção do público ao simplificar a sua mensagem.
Bernardo Carvalho, nesta entrevista, reflete também sobre o crescente desejo dos leitores, não em descobrir novos assuntos e explorar novas realidades, mas em receber uma confirmação daquilo que já conhecem.
Deixo aqui um excerto da entrevista, que nos ajuda a refletir um pouco sobre este tópico:
«A longo prazo, ela [a internet] criou esse leitor que não se deixa contradizer nunca (...) Parecia que ela estava te dando uma janela para a realidade, para o mundo, mas, na verdade é um espelho. É muito narcisista. E com isso você criou uma relação de leitura que é uma relação de estreitamento, de confirmação permanente. E de desprazer com qualquer coisa que seja uma novidade. A literatura não é mais o caminho para um desconhecido, para um confronto com algo que te contradiz, que você não conhece. Mas não, é a confirmação. Qual o livro que você compra? Aquele que de alguma forma se assemelha a outro do qual você já gostou.»

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