— Agora só amanhã.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
domingo, 19 de abril de 2026
Exercício 12: A voz do autor — de uma mulher na piscina a rajadas de metralhadora
Tenho uma
confissão a fazer: não aprecio a forma como o Ernest Hemingway escreve.
Atenção: acho
as suas histórias tremendamente importantes. Não vou começar a insultar um dos
maiores escritores do século XX só porque as suas narrativas não me tocam da
forma que creio que deveriam. Apesar de não serem as minhas experiências de
leituras favoritas, são clássico bastante acessíveis, maioritariamente curtos,
e continuo a ler pelo menos um por ano.
Durante imenso
tempo, justifiquei a minha posição com o meu gosto para livros mais virados
para a interioridade, com menos diálogo e ação. Por exemplo, a abertura de A
Imortalidade em que observamos uma mulher a nadar. É há mais de dez anos a minha
abertura favorita de um livro.
Agora que
folheei alguns dos meus clássicos favoritos em busca de exemplos, percebi que
não é bem verdade: A Leste do Paraíso tem diálogo para dar e vender e
não me induz na espiral ansiosa e desorientada que senti ao ler Por quem os sinos
dobram. Os Subterrâneos da Liberdade tratam assuntos igualmente sérios
e políticos, no entanto, a escrita do Jorge Amado é tão cinematográfica que me
transporta para fora da página e para um cenário de telenovela. Kurt Vonnegut
escreve uma experiência completamente surreal entre raptos alienígenas e o
bombardeamento de Dresden no Matadouro Cinco e eu não leio as páginas num
ziguezague constante para saber o que vai acontecer ao ponto de ter de reler
todas as páginas duas vezes: primeiro o diálogo, depois o restante texto.
E todos eles
usam o mesmo recurso tipográfico para marcar o diálogo: o travessão Portanto,
não é uma questão de forma e de «fazer batota» para saber o que se vai passar a
seguir.
Começo a achar
que o problema sou eu.
Em A Leste do Paraíso a interposição do diálogo com excertos mais descritivos já ajudam a marcar o ritmo de outra forma e tornam o diálogo mais compreensível.
Kurt Vonnegut descreve-nos cenários completamente absurdos e mesmo assim tenho melhor compreensão do que se está a passar do que nas rajadas de páginas e páginas de diálogo de Hemingway.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Exercício 11 - Traduza o seguinte poema de Raymond Carver
Bebendo enquanto conduzo
Estamos em Agosto e já não
Leio um livro passam seis meses
exceto algo intitulado «A Retirada de Moscovo»
de Caulaincourt
Mesmo assim, sinto-me feliz
No carro, com o meu irmão
a beber bourbon da garrafa.
Não temos destino
Apenas conduzimos.
Se fechar os olhos por um instante
Estaria perdido, mas
Feliz me deitaria e dormiria
na berma desta estrada
O meu irmão cutuca-me
A qualquer momento, algo acontecerá.
Exercício 16: Traduza para outra língua este poema
Do not bullshit me. Do not lie.
Do not look me in the eye. Just go.
Save me your mealy-mouthed speeches.
And the farse of goodbye. Do not make a
scene.
Do not say you're sorry or that life
is what it is: that everything washes away.
That life and time can heal any wound.
I repeat, my love: be gone.
Take whatever you want of
what we once believed shared:
The books, the sandalwood sculptures,
The records, the portraits, the billiards.
Do not leave an address. Please:
My love, all I want is for you to fuck off.
Ansiedade ao rubro - versão final
Hoje, acordei cedo e preparei-me para uma entrevista de emprego. Vesti a minha roupa mais profissional. Despedi-me do meu gato e caminhei até à paragem de autocarros.
Qual não foi o meu espanto quando percebi que a paragem não existia. Simplesmente, já não circulavam autocarros em Portugal!
Instalou-se o pânico em mim. Lembrei-me dos ensinamentos daquele livro de meditação que li há uns meses e respirei fundo. Apercebi-me de que não queria saber daquele emprego. É mais importante ter saúde e um gato que me espere todos os dias à porta. Foi, então, que me ocorreu que tinha deixado a janela aberta.
Naquele momento, tudo o que aprendi com o livro de meditação já tinha ido pelos ares. A ansiedade e o stress haviam tomado conta de mim e já não me sentia eu mesma.
Porém, lembrei-me do que o meu ídolo me disse e que me ajudou a ultrapassar momentos difíceis,: "Posso não ser o melhor, mas na minha cabeça sou". Como o melhor do mundo, corri de volta a casa. No meio de toda esta confusão, esqueci-me de que o caminho de volta era íngreme e a minha resistência estava nas últimas. Não corri mais do que um par de metros e já não conseguia respirar.
Lembrei-me de uns exercícios para a ansiedade que vi num vídeo do TikTok e consegui-me acalmar. Já não tinha interesse naquele emprego, decidi ir ao lago dos peixinhos, que ficava perto de casa.
- Então e o gato?! - perguntou a voz da minha cabeça.
- O gato fugiu pela janela! - pensei, angustiada.
Foi, então, que, ao chegar ao lago, o descobri sem peixinhos e o que parecia ser o último sobrevivente, estava na boca do meu gato!
- SIMBA!! - gritei desesperada, ao ver o meu gato laranja e gordo a almoçar os peixes do lago. Consegui agarrá-lo e pô-lo no meu colo, onde, após encher o bucho, escolheu dormir. O seu ronronar trouxe-me paz.
Paz era aquilo que eu mais procurava naquele momento. Só eu e o meu gato.
terça-feira, 14 de abril de 2026
Um erro mortal, uma regra a saltar e bons exemplos (Exercício 13)
Um erro mortal: gralhas na capa
Podemos ver uma primeira edição do primeiro volume dos contos completos de Bulgakov, Garganta de Aço, publicada pela Eprimatur. No canto inferior direito, podem ver na imagem ampliada "Brilahnte" no lugar de "Brilhante". Podemos confirmar: não é brilhante. Mais ainda, tendo em conta a frágil credibilidade que qualquer tradução direta de línguas como o russo já tem à partida (exceptuando casos já consagrados, como as dos Guerra ou António Pescada), esta gralha na capa é um péssimo cartão de visita. Pelo que vejo no site, a editora ainda não corrigiu.
Segundo erro: capas com frames de filmes
Não há muito para dizer, é o que o título diz. É o caso da edição de Doutor Jivago de Pasternak, publicado pela Sextante Editora, com a devida menção do tradutor na capa, António Pescada, e do Nobel do autor. Tudo certo, mas…. Porquê um frame do filme com a cara do Omar Sharif na capa? Não sou suspeito, adoro David Lean, mas, por favor, não na capa dos meus livros.
Não é de admirar que tenhamos metade dos nossos conhecidos a comentar "gostei mais do livro". Cúmulo dos cúmulos, ouvi um conhecido dizer isto aquando da saída do filme da Anna Karénina (2012). Ia morrendo.
Primeiro exemplo: usar frames de filmes
Todo o exemplo tem o seu contraexemplo. É a natural: a luz tem a treva; o yin, o yang; o bom tem o mau; o belo, o feio e por aí fora... seleciono um livro que me pareceu especialmente bem conseguido e que usa um frame do O Sétimo Selo (1957). Trata-se da biografia de Ingmar Bergman escrita por Peter Cowey, publicada pela britânica Faber & Faber, chamada God and the Devil. Em certos contextos, não devemos só saltar sobre o exemplo, mas ir mesmo contra ele. Este é um deles:
Segundo exemplo: aproveitar capas de/em coleções ou volumes
As capas dos dois volumes do Segundo Sexo de Simone Beauvoir da Quetzal fazem claro o argumento. A editora, no bom gosto que caracteriza as suas capas, acertou em cheio. Além do que o conteúdo do I volume motiva no leitor, a capa do II dá um motivo extra para ser comprado. Pela positiva, são escolhas editoriais como esta que tornam obras já publicadas há décadas novos e verdadeiros hinos ao colecionismo.
Terceiro exemplo: timing e design
A edição de 2007 de 1984 da Antígona é, a meu ver, um excelente exemplo de timing e de design. Como podemos ver neste link e em qualquer site internacional de retalho livreiro, a ideia do olho na capa de 1984 não é mundialmente original desta editora, mas é original em Portugal. A Antígona chegou primeiro, tudo o que veio depois são cópias, independentemente de serem enriquecidas com excelentes ilustrações do Vhils ou com prefácios do Gonçalo M Tavares:
O design da Antígona, simples e marcante, é excelente e alimentou todas as restantes publicações da obra do Orwell na editora. Um exemplo português de uma editora que acertou em cheio (e com força) no alvo.
A título de curiosidade, partilho convosco o caso da edição inglesa da Penguin, que escapa, de forma verdadeiramente brilahnte, à norma deontológica ocular que as capas de 1984 têm assumido no mundo:
Quarto exemplo: a capa como geradora de coleções artificiais
Segue este último exemplo da publicação de Cidade na Planície (e dos restantes títulos) de Cormac McCarthy, pela Relógio D'Água. Tratando-se da única editora responsável, ao que sei, pela publicação da obra deste autor em Portugal, sem se desviar do seu design tradicional, a Relógio D'Água criou uma espécie de "mini coleção" de um só autor dentro do seu catálogo. Fez isto aliando um autor a um mesmo tipo de design e um único tradutor. O nome do tradutor, Paulo Faria, também é justamente destacado na capa. Isto não só pela qualidade de outras traduções suas (como o A Quinta dos Animais de Orwell, pela Antígona, em fotografia acima), mas também pelo seu envolvimento aprofundado com a tradução da obra de McCarthy, tendo inclusive afirmado em entrevista ter falado com o autor diretamente a propósito da sua obra e de questões da sua tradução.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Exercício 13: Capas e Contracapas
No âmbito do exercício proposto, fotografei algumas capas e contracapas que considero ilustrativas dos aspetos que me chamam à atenção, tanto de forma positiva quanto negativa, num exemplar.
Para iniciar, apresento a edição da Tinta-da-China do livro Depois
a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi. A capa, simples e ilustrativa do conteúdo
da obra, aborda situações autobiográficas em que a autora se confronta com o
uso de comprimidos para lidar com os transtornos da sua vida, utilizando o
humor para descrever experiências tão complexas. Assim, a ilustração da caixa
de comprimidos e o título do livro, juntamente com o nome da autora,
destacam-se de forma adequada, assemelhando-se ao nome de um medicamento e à
sua administração, estando bastante proporcionais e com o destaque adequado
Na badana anexa à capa, encontra-se uma citação que expõe, desde logo, uma boa parte da temática do livro e apresenta uma agradável mancha gráfica. A contracapa contém uma sinopse concisa e que caracteriza de maneira excelente o livro, mantendo o texto no formato da parte posterior de um frasco de comprimidos, como na capa. Na outra badana, há uma breve biografia da autora, que considero essencial e que faz todo sentido encontrar-se nesta.
Relativamente à contracapa e às badanas, considero que estão
excessivamente carregadas. Removeria os comentários excessivos da contracapa e
incluiria uma sinopse, proporcionando mais espaço à badana anexa à capa, na
qual manteria a biografia da autora. As apreciações do livro poderiam ser
incluídas de qualquer forma na badana anexa à contracapa, sendo escolhidas as
mais “importantes” ou chamativas.
No que diz respeito à edição de 2025, a capa é
substancialmente mais vibrante, mas transmite uma ideia fiel do livro. Prefiro
a simplicidade desta versão, assim como das suas badanas e contracapa. Como
pormenor a melhorar nas badanas, sugeriria uma transição gradual da cor
vermelha, em vez da mudança abrupta de um vermelho intenso para um branco
claro, especialmente porque há espaço para esta.
Em contraste, apresento um
exemplo de uma capa que avalio negativamente de uma edição da Alma dos Livros.
Em primeiro lugar e menos importante, não a considero esteticamente apelativa;
em segundo, as proporções parecem desajustadas e a composição revela excesso de
informação desnecessária. A capa inclui o título “Mr. Masters”, o
subtítulo “As leis do desejo” e ainda a frase “O prazer tem as suas
próprias regras”. Na linha inferior ao nome da autora surge a expressão “o
fenómeno internacional”, o que é bastante redudante, tal como o autocolante
no topo que indica tratar-se de um número um em Portugal e bestseller
internacional. Para além disso, apresenta ainda uma cinta promocional que
repete essa informação e acrescenta algumas palavras sobre o livro que pouco
contribuem.
A contracapa constitui outro exemplo de excesso
informativo: embora inclua a sinopse, apresenta também várias frases chave em
destaque, resultando numa composição pouco coerente. As badanas são, assim, o
elemento mais equilibrado, contendo apenas a biografia da autora e a listagem
das suas obras.
Para terminar, destaco uma edição de um “pequeno” livro de poesia da Orfeu Negro, que considero digna de nota, por apresentar, a meu ver, a capa e a contracapa mais bem concebidas entre os exemplos analisados. A ilustração é excecional, e a colocação do título e do nome do autor em cantos opostos, sobre áreas claras, revela-se equilibrada e visualmente eficaz. A composição é harmoniosa e proporcional, sendo ainda de salientar a integração do símbolo da editora, bem conseguido tanto na posição como na escolha cromática.
Na contracapa, surge no topo um breve verso em destaque, que
representa adequadamente a poesia de Elvis Guerra. Ainda assim, seria
preferível uma amostra mais extensa do texto poético, em vez do excerto da nota
de André Tecedeiro, que poderia ser substituído por uma simples indicação, como
“Posfácio por André Tecedeiro”, que já existe. A inclusão de uma breve
biografia e a menção de se tratar de uma edição bilingue são pertinentes. Os
créditos de tradução e do posfácio são também importantes e contribuem para um
preenchimento discreto e organizado da página.
Importa, por fim, referir que não é apenas a capa que se
destaca: trata-se igualmente de uma obra que merece ser lida e de que gostei de
maneira especial.
Exercício 12 – o musical infantojuvenil
Comecei
a ouvir música cedo, com os livros a fazer de pauta. Passados por primos mais
velhos ou encontrados na parte de trás, dentro de um armário, da sala de aula
da escola primária, os livros de Uma Aventura foram essenciais para o
desenvolvimento do meu gosto por ler. Não os li quando a eles tive acesso, logo
no início da primária, mas olhava para eles com o objetivo de os conseguir, um
dia, compreender.
Se
muito falamos em “grandes autores” ou “autores fortes” e associamos estes
termos a, por exemplo, Saramago, Pessoa, Agustina Bessa-Luís (e não
erradamente), o cânone literário português não me parece esgotar-se na “literatura
dos crescidos”. Lemos porque é um hábito, cultivado por terceiros ou "auto-plantado".
Se desde novos o temos, não começámos, certamente, a ler clássicos (quem
começou que se acuse, nos comentários). Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada surgem
(pelo menos para mim, acusem-se, novamente, nos comentários) como as cabecilhas
de um cânone infantojuvenil português. Surgem quase como um só autor, um nome
próprio ou composto que escreve numa só voz e que leva muito mais do que 5
jovens a várias partes do país.
Paralelamente,
e como muito se vê na Gen Z, comecei a ler literatura estrangeira,
implementando-se como hobbie quase obsessivo a leitura da saga de Harry
Potter. J.K. Rowling oferece aos leitores (que se estendem por todas as
faixas etárias (não iremos aqui discutir o enquadramento dos livros, embora o
tivesse já classificado como infantojuvenil, ups!)) mais do que o
acompanhamento de um órfão que se descobre feiticeiro, isto é, alarga o imaginário
de quem lê e abre a possibilidade de nos inserirmos no seu universo, muito
graças à magnitude que ganhou a obra e que, rapidamente, se tornou marca. Frequentemente,
abordamos a temática monetária no mestrado: J.K. Rowling (podem também discutir
nos comentários a polémica da pertença da obra à autora) vem mostrar que é
possível fazer um sem fragilizar o outro: quanto mais a marca aumenta, mais
livros surgem dela derivados.
Comparando,
enquanto a saga Harry Potter me fazia desenvolver um mundo imaginário
ou, mais concretamente, inserir-me naquele que foi mostrado nos filmes, Uma
Aventura levava-me a lugares concretos que, ainda hoje, são na minha mente
um pouco como os que li nos livros: revisito o Ribatejo, o Porto, a Serra da
Estrela, mas não revisito Hogwarts, imagino-o.
A
principal diferença entre estas «sagas» não é apenas a proximidade que
estabeleci com cada uma delas, mas a ligação que Harry Potter fazia com
o meu imaginário, que contrastava (e contrasta) com ligação de Uma Aventura
às experiências que ia vivendo. Crescer com estas duas coleções é crescer com
dois grandes motes da literatura: ora desligar-nos do mundo em que vivemos, ora
aproximarmo-nos deste.
Nota:
“Somos filhos do aquário em que nascemos”, por isso, é possível que a escolha
de autoras contemporâneas possa não estabelecer uma ligação automática com
todos. A maior referência desta escrita é a memória, mas podem encontrar Uma
Aventura publicada pela Caminho (em anexo, segue uma imagem de um exemplar
com algumas marcas de guerra); quanto à saga Harry Potter, os livros foram
emprestados, mas não faltam edições em qualquer livraria.
Matilde Cabana
sábado, 11 de abril de 2026
Exercício 16 - Tradução do poema "Não inventes" de José Carlos Barros
DON’T MAKE THINGS UP
Don't give me that bullshit. Don’t make things up.Do not look me in the eyes. Just leave.
And spare me of/the persuasive/articulate speeches
And the sham/deceit of farewell/goodbye. Don’t make a scene.
Don’t say you’re sorry or that life
sometimes is this way: that everything is forgotten;
that the world and time heal all wounds.
I repeat, my love: be gone.
And take everything you want from what
we one day imagined to share:
the books, the sculptures in sandalwood,
the records, the portraits, the billiards.
Do not leave any addresses. Please:
Exercício 11 - Tradução do poema “Drinking while driving” de Raymond Carter
É Agosto e eu não
Leio um livro faz seis meses
Exceto uma coisa chamada The retreat from Moscow
de Caulaincourt
Todavia, sou feliz
A andar de carro com o meu irmão
e a beber uma lata de Old Crow
Não temos nenhum destino em mente,
apenas conduzimos.
Se eu fechar os meus olhos por um minuto
Estarei perdido, porém
Poderia de boa vontade deitar-me e dormir eternamente
à beira desta estrada
O meu irmão dá me uma cotovelada
A qualquer momento, algo irá acontecer
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Exercício 16 - Tradução do poema "Não Inventes" para espanhol
No Inventes
No me vengas aquí con mierdas. No inventes.
No me mires a los ojos. Vete simplemente.
Y ahórrame los discursos elocuentes
y las farsas de despedida. No montes un numerito.
No digas que lo sientes o que la vida
a veces es así: que todo se olvida;
que el mundo y el tiempo curan cualquier herida.
Repito, amor mío: desaparece.
Y llévate lo que quieras de todo aquello
que un día pensamos compartir:
los libros, las esculturas de palo santo,
los discos, los retratos, el billar.
No me des direcciones. Por favor:
lo que quiero es que te jodas, cariño.
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Exercício 11 - Tradução do poema de Raymond Carver
Beber a Conduzir
É agosto e
Não leio um livro em seis meses
exceto um chamado The Retreat from Moscow
de Caulaincourt
Mesmo assim, sou feliz
Num carro com o meu irmão
e a beber um copo de Old Crow.
Não temos destino,
estamos só a conduzir.
Se fechasse os olhos por um minuto
Estaria perdido, ainda assim
Poderia deitar-me e dormir para sempre
ao lado desta estrada
O meu irmão empurra-me.
A qualquer minuto, alguma coisa irá acontecer.
Exercício 16: Tradução do poema "Não Inventes" para inglês
Leave
Don’t stand there staring at me in the eyes. Just leave
And spare me your sweet talk
And fake goodbyes. Don’t make a scene.
Don’t say you’re sorry or that “it is what
it is,”: and that everything fades;
that the world and time heal all wounds.
Let me say that again, love: leave.
And take whatever you want from what
we once thought we’d share:
the books, the bibelots, the records,
the portraits, the pool table.
Don’t leave any address. And please:
Fuck off, my love.
TUDO SOBRE O PROJETO DE LIVRO
As diretivas são claras mas clarifico-as de novo:
1) 20-22 páginas
2) 2-3 frases por página
3) ilustrações de momento, amadoras q.b. (presumamos que depois haverá ilustração profissional)
4) Público-alvo: digamos, 2-7 anos
5) Autoras são responsáveis pela obra. Editoras pela edição, revisão, aconselhamento em geral e campanha de comunicação e marketing mas a colaboração das autoras é welcome (obrigado, Rita M e Raquel S por me ajudarem a esclarecer)
O resultado é um mono, em papel e PDF (para poderem projetar em aula, desde logo). Não é preciso gastarem dinheiro a ir a uma tipografia, a menos que queiram. É um jogo, e um jogo só tem piada se o levarmos a sério.
Na próxima aula, espero já que me mostrem o estado da arte. Não tem de ser final, mas em 3-5 minutos têm de mostrar algo.
Máquinas mentais que podem ajudar:
- Andaimes-fantasma que ajudam a construir a história mas não estão lá: "Era uma vez", "Fim"
- Esta é a história de __ que mais que tudo quer __ mas não pode (por causa de __)
- Método SER@: Simplicidade, economia, rigor
- Ato 1 --> Ato 2a / Ato 2b --> Ato 3
- No fundo, a história é só o Ato 2, o momento de crise e a resolução ou não desta entre dois pilares
Só o Gabriel, tanto quanto percebi, está sozinho. Assim, ele entra num grupo para que editem (leiam etc.) o livro que ele fizer. Podem falar com mais colegas, mas apenas serão creditados nos agradecimentos, quando muito...
quarta-feira, 8 de abril de 2026
´Lançamento do Livro "Nina Roça Água-Izé"
Olá Pessoal.
Tem um lançamento de um livro neste próximo sabádo às 16 horas, na Embaixada de São Tomé e Príncipe.
É de um escritor são-tomense que conheci à pouco tempo. Também irei fazer uma pequena participação.
Quem tiver interesse em comprar, o livro fica 16 euros.
Fica aqui o convite.
Exercício 16 - Tradução do Poema “Não inventes”
Don’t feign
Don’t come
with shit. Don’t feign.
Don’t look at
my eyes. Just leave.
And spare
me the ornate speeches
And the farewell
sham. Don’t make a scene.
Don’t tell
me you’re sorry or that life
Is like
that sometimes: that it forgets everything;
That the
world and time heal any wound.
I repeat,
my love: disappear.
And take whatever
you want of everything
We suspected
sharing one day:
The Books, the
sculptures made in holy wood,
The discs, the
portraits, the snooker.
Don’t leave
any addresses. Please:
I just want
you to fuck yourself, my love.
Exercício 11 - Tradução do poema "Drinking while driving" de Raymond Carver
Conduzir, a beber
É agosto e
Não leio um livro há seis meses
exceto algo com o nome Retreat from Moscow
de Caulaincourt
No entanto, sou feliz
A andar de carro com o meu irmão
e a beber uma caneca de Old Crow.
Não temos nenhum espaço em mente para ir,
estamos simplesmente a conduzir.
Se fechasse os meus olhos por um minuto
Estaria perdido, ainda
Podia, de bom grado, deitar-me e dormir para sempre
Junto a esta estrada
O meu irmão cutuca-me.
A qualquer minuto, algo acontecerá.
terça-feira, 7 de abril de 2026
Masterclass 3 já esta quarta 8: João Morales
Por motivos de agenda, será já esta quarta 8 a terceira e última aula magistral deste semestre. Desta vez o convidado será João Morales, atualmente animador cultural mas com uma experiência vasta neste mundo: jornalista, diretor da revista Os Meus Livros, comissário de festivais, organizador de sinergias país fora. Como de costume, aguardamos as vossas perguntas.
João Morales
Começou no jornalismo em 1993, no Diário de Notícias. Publicou no Correio de Domingo e pertenceu ao diário A Capital. Integrou a Gazeta de Lisboa, o semanário Meios & Publicidade e a revista Media XXI, da qual foi editor.
Entre 2004 e 2012 dirigiu a revista mensal Os Meus Livros. Foi colaborador da Time Out e tem artigos em várias outras publicações, incluindo os meios online Bran Morrighan e Deus Me Livro, escrevendo em especial sobre entre literatura e jazz. Há mais de uma década que apresenta “25 MÚSICAS PARA O 25 DE ABRIL”, em diversos pontos do país.
Organizou os ciclos Com Todas as Letras, Recordar os Esquecidos ou Confesso que Li, sessões na Feira do Livro de Lisboa e diversas bibliotecas municipais. É programador dos festivais Livros a Oeste (Lourinhã, desde 2012) e do ciclo anual Viver (Com) a Escrita (Santiago do Cacém, desde 2014). Programou os festivais Textemunhos (Lamego), As Palavras que nos Unem (nos dez concelhos do Alto Minho) entre diversos ciclos, sessões em livrarias, bibliotecas e escolas.
Co-organizador do Fórum Fantástico, criou e desenvolveu o projecto Literatura — Língua Comum, para o Programa Escolhas. Integrou o Júri do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca e mantém no Youtube o Canal 19.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Procura-se Editor(es) 👀
Procura-se editor(es)!
Boa noite, caros colegas
Gostaria de saber se existe alguém na turma que ainda se encontra sem par para o projeto final do livro infantil e, assim como eu, precisa de um editor. Ou, no caso de uma dupla, saber se não se importam com a integração de um terceiro elemento no projeto.
Deixo aqui o apelo e também o meu número para poder ser contactado (ou não).
961973410
Com os melhores cumprimentos, Gabriel Alves
sábado, 4 de abril de 2026
Exercício 12 - A Voz de Dois Autores
Escolhi dois autores que tenho lido muito nos últimos tempos
e que estão entre os meus favoritos (e entre os favoritos de muitos outros leitores). Para não complicarmos isto geograficamente, fizeram o favor de
nascer ambos na mesma ilha.
Comecemos, respeitando a
cronologia, por Jane Austen. Tomemos como referência uma das frases de abertura
mais conhecidas da história da literatura mundial:
“É uma verdade universalmente
reconhecida que um homem rico e solteiro precisa de uma esposa.”
Quem está aqui a falar? Será esta,
de facto, a opinião do narrador de Orgulho e Preconceito? Ou estará este
apenas a reproduzir a voz da sociedade da época? E, reproduzindo-a, não estará
desde logo – através da forma como nos fala - a emitir um juízo sobre essa
convenção?
É disto que mais gosto em Austen -
a maneira como conhece o pensamento da sociedade do seu tempo e o modo como, limitando-se
muitas vezes à respetiva descrição, o consegue ridicularizar. O segredo está na
forma como o diz. Por exemplo, quando Mr. Darcy nos é apresentado, no terceiro
capítulo, através dos olhos de terceiros:
“Os cavalheiros declararam-no
muito mais bonito do que o senhor Bingley, e foi universalmente observado
com grande admiração durante metade da noite, até ao instante em que as
suas maneiras causaram um desgosto que mudou a maré da sua popularidade;
sucedeu isso quando se descobriu que o senhor Darcy era orgulhoso, que
se julgava superior a todos os presentes e que não estava satisfeito com
a festa.”
Ou quando, no início do quinto capítulo,
introduz Sir William Lucas, recorrendo à linguagem ou à perspetiva do próprio
personagem:
“Sir William Lucas tivera em
tempos negócios em Meryton, onde amassara uma fortuna razoável, e ascendera ao
grau de cavaleiro através de uma petição ao rei, durante o seu mandato como provedor
do concelho. A distinção subiu-lhe um pouco à cabeça, causando-lhe uma
repentina aversão pelos negócios e pela sua residência numa vila mercantil;
razão pela qual abandonou ambos, negócios e residência, e se mudou com a
família para uma casa a cerca de uma milha de Meryton, que passou a ser
conhecida como Lucas Lodge. Aqui, Sir William pôde dedicar-se a refletir
com prazer na sua própria eminência e a mostrar-se, agora que estava livre
dos negócios, cortês com toda a gente.”
Já em Charles Dickens, que nasceu poucos
anos antes da morte de Austen, tudo me parece mais infantil (desde logo, os
jogos de palavras ou as personagens caricaturais), mas não menos profundo. A
descrição física das personagens ganha relevo e a ironia é menos azeda –
estamos já mais próximos de Monty Python do que de Ricky Gervais. Vejamos a forma
como é apresentada, no segundo capítulo, a irmã de Pip, o protagonista de Grandes
Esperanças, nas palavras do próprio:
“A minha irmã, a Sra. Joe, com o
seu cabelo e olhos negros, tinha sempre uma pele tão rubra que por vezes
fazia-me ponderar a possibilidade de ela se lavar com um ralador de
noz-moscada em vez de se servir de uma barra de sabão. Era uma mulher alta
e de aparência ossuda, e andava quase sempre com um avental de material
grosseiro à cintura, que cingia com dois laços atrás das costas, e um peitilho
quadrado e invariavelmente imaculado à frente, repleto de agulhas e alfinetes
cravados. O uso continuado deste avental representava para si um valoroso
ponto de honra, ao passo que servia também de forma de censura apontada à
pessoa de Joe. A verdade é que nunca vi razão para que ela se decidisse
sequer a usá-lo, ou, já que se decidira pelo seu uso, não descortinava motivo
algum para que não o tirasse todos os dias.”
Ou a descrição do Sr. Wemmick, no
segundo capítulo do segundo volume:
“A sua boca assemelhava-se de tal
modo à estreita abertura de um marco de correio que, mesmo quando
inerte, parecia abarcar um sorriso mecânico.”
Ao longo do livro, o narrador vai
recorrendo a esta imagem – por exemplo, quando o Sr. Wemmick come, é-nos dito não que coloca a
comida na boca, mas sim na tal estreita abertura do marco de correio.
Em Austen, sinto que estou a ver
o mundo na perspetiva de um adulto bem formado e muito inteligente que (felizmente)
usa e abusa da ironia, por não se conseguir conformar com aquilo que vê. Em
Dickens, fico com a ideia de que estou perante o equivalente a um
extraordinário filme de desenhos animados para adultos, como Coco ou Soul,
em que o recurso à caricatura, à metáfora e ao exagero é o mecanismo que
permite mostrar-nos algo tão profundo e tão real como a própria vida.
Escrito por Tiago Gonçalves
Nota: Usei como referência as edições de Orgulho e Preconceito e de Grandes Esperanças da Relógio D´Água, com traduções, respetivamente, de José Miguel Silva e de Frederico Pedreira.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Exercício em aula — Texto em bruto
Uma Folha Sem Nome
Num dia raivoso, em que as árvores se abanavam todas e o mar quebrava em ondas, uma pequena folha está em risco de cair.
Esta pequena folha não tem nome, pois claro, mas não pelas razões que acham. Ela podia muito bem ter um nome, se não fosse pela tragédia de há apenas dois dias: uma grande trovoada soprara e levara os amigos e família da pequena folha.
Acabadinha de nascer, a nossa amiga vê-se sem pais, sozinha e desamparada. E assim começa a nossa história.
Voltemos ao presente. A pequena folha treme, tirita, e agita-se, como se estivesse a fazer a dança do vento. Ainda é nova neste mundo tão cruel, sente-se assustada e impotente. Do nada, algo lhe toca, grosso e cheio de calos, como o tronco de uma árvore, mas mais plano e macio. Surpresa com esta novidade estranha, a pequena folha sente uma dor e solidão inesperada. Triste, a pequena folha desmaia.
Quando acorda, a pequena folha não sabe onde está. Tudo lhe é desconhecido e curioso. Já não treme, nem tirita, nem se agita, porque o ar não é fresco nem bravo, mas pesado. Não se consegue mexer, sente-se pegajosa e presa. Agora no escuro, a pequena folha reúne-se com todos os que a deixaram sozinha, e solta um único suspiro agridoce.
Exercício 12- 3 vozes na literatura
Recentemente, decidi aventurar-me pela magnum opus do Victor Hugo, Os Miseráveis. Uma passagem em particular comoveu-me de uma maneira que nem tudo consegue:
“Agora, o que sucedera?
Escorregou, caiu, e foi-se.
Está na imensidão das águas. Debaixo dos pés, já só tem algo que foge e que se desmorona. As ondas rasgadas e picadas pelo vento cercam-no horrorosamente; as oscilações do abismo arrastam-no, todos os farrapos de água se agitam em torno da sua cabeça; um montão de vagas cospe-lhe em cima, enquanto confusas cavidades devoram metade dele; cada vez que mergulha, vislumbra precipícios repletos de noite, e sente-se preso por medonhas vegetações desconhecidas que lhe atam os pés e o puxam para elas; sente que se torna abismo, que faz parte da espuma, que as ondas o lançam de uma para a outra; bebe amargura; o cobarde oceano obstina-se em afogá-lo, e a enormidade brinca com a sua agonia. É como se toda esta água fosse ódio.” (p. 92)
Com Victor Hugo, não existe propriamente um crescendo, é tudo extremos constantes, acentuados e quase ruidosos, de uma forma impactante. A escrita dele não é excessiva, mas apela à humanidade de cada um dos seus leitores. No pequeno excerto que inseri aqui, Hugo apresenta uma grande talento para linguagem imagética; mesmo que não possamos identificar-nos com a situação específica que está a ser representada, somos arrebatados por emoções guturais, tão profundas como se fôssemos o sujeito em sofrimento. Não há dúvidas do que ele nos quer fazer sentir.
P.S. Li a edição da Relógio D'Água, para referência. A citação encontra-se no primeiro volume.
Um dos primeiros livros que li este ano foi The Dud Avocado de Elaine Dundy. Pode não ser uma autora famosa e de grande renome, mas creio que, se uma voz mostra ser tão distinta quanto a que se encontra neste livro, deve-se dar a conhecer. Nunca tinha ouvido falar nem da autora nem do livro até entrar numa Waterstones e os meus olhos verem-se magnetizados pela capa, tão chamativa e cheia de cores berrantes (coloco aqui a imagem).
"A Tempestade" - texto reeditado
Acendi a luz do exaustor e enchi o copo com água. Do canto do olho continuava a ver a luz vermelha, persistente e cada vez mais forte. Ou talvez fosse apenas impressão minha, induzida pelo sono.
Mal o pensei, e sem qualquer aviso, os meus ouvidos estalaram com um som ensurdecedor e tudo o que via era penumbra. Pensei ter sido atingida por uma bomba, tamanho o estrondo que senti. Fiquei completamente desorientada. O meu primeiro instinto foi chamar por Mariana, mas, para minha surpresa, não obtive resposta alguma. Talvez ainda estivesse a dormir. Uma parte da minha mente tentava convencer-se de que era só isso. Ela ainda estava a dormir.
Rodeada pela escuridão, tentei guiar-me pela casa - que já me era tão familiar - de braços esticados e passos cuidadosos, à procura de uma cadeira onde me pudesse sentar e descansar. É um apagão, pensei. Que mais poderia ser? Mas ao continuar por um corredor aparentemente interminável, apercebi-me de algo.
Não sei onde estou.
A minha voz resiste ao ímpeto de a calar, apavorada pela ideia de ser ouvida por um perigo iminente. Pergunto por alguém, imploro a presença de um outro. E, assim que o pedi, ele apareceu.
Começo a fazer-lhe perguntas, mas sei que já não estou a ser coerente. Não percebo de onde é que ele veio, ou onde estamos. E o que é feito de Mariana? Sem dizer uma palavra ele vai-se aproximando e já não consigo conter as lágrimas. Tento afastá-lo, mas os seus olhos rubros prendem-me ao chão.
Foi assim que aprendi a não desejar o que desconheço.
Exercício 11 - Tradução do poema "Drinking While Driving", de Raymond Carver
Estamos em agosto e não
leio um livro há seis meses
excepto um chamado The Retreat from Moscow
do Caulaincourt.
No entanto, estou feliz
a conduzir com o meu irmão
e a beber uma caneca de Old Crow.
Não temos nenhum lugar em mente para onde ir,
estamos somente a conduzir.
Se eu fechasse os olhos por um minuto
perdia-me, porém
podia simplesmente deitar-me e dormir para sempre
ao lado desta estrada
O meu irmão abana-me suavemente.
A qualquer momento, algo irá acontecer.
Exercício 16 - Tradução de um poema
别编造 Bié biānzào
别再胡说八道。别编造。
Bié zài húshuō bādào. Bié biānzào.
别看着我的眼晴。走开。
Bié kànzhe wǒ de yǎn qíng. Zǒu kāi.
少来那套花言巧语
Shǎo lái nà tào huāyánqiǎoyǔ
和假惺惺的告别。别闹了。
hé jiǎxīngxīng de gàobié. Bié nàole.
别道歉,别说人生
Bié dàoqiàn, bié shuō rénshēng
不过如此:一切都会被忘掉。
bùguò rúcǐ: Yīqiè dōu huì bèi wàngdiào.
世界和时间会抚平一切。
Shìjiè hé shíjiān huì fǔ píng yīqiè.
我再说,亲爱的:滚。
Wǒ zàishuō, qīn'ài de: Gǔn.
那随便你拿着我们曾
Nà suíbiàn nǐ názhe wǒmen céng
以为分享的所有吧:
yǐwéi fēnxiǎng de suǒyǒu ba:
书,那些帕罗桑托雕塑,
Shū, nàxiē pà luó sāng tuō diāosù,
唱片,画像,台球桌。
chàngpiàn, huàxiàng, táiqiú zhuō.
别留下地址。拜托你:
Bié liú xià dìzhǐ. Bàituō nǐ:
滚你的蛋吧,亲爱的。
Gǔn nǐ de dàn ba, qīn'ài de.
Nota de tradução (ou fun fact): os insultos em mandarim recorrem na grande maioria das vezes ao clássico "a tua mãe", um dos ragebaits mais eficazes, em vez da nossa tendência para dar direções concretas ao indivíduo. Neste caso, optei pelo termo mais parecido que conheço, "滚" (gǔn), literalmente "rebolar" -> rebola-te daqui para fora -> vai-te foder. Podendo não nos parecer, este termo tem praticamente o mesmo impacto porque é a forma mais indelicada de mandar alguém desaparecer, excetuando a expressão 肏你祖宗十八代 (que se fodam os teus antepassados até às dezoito gerações), que já achei um bocadinho nuclear demais.
Exercício 15: história triste em três palavras
— Agora só amanhã.
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