— Agora só amanhã.
Tedibera25
quarta-feira, 22 de abril de 2026
domingo, 19 de abril de 2026
Exercício 12: A voz do autor — de uma mulher na piscina a rajadas de metralhadora
Tenho uma
confissão a fazer: não aprecio a forma como o Ernest Hemingway escreve.
Atenção: acho
as suas histórias tremendamente importantes. Não vou começar a insultar um dos
maiores escritores do século XX só porque as suas narrativas não me tocam da
forma que creio que deveriam. Apesar de não serem as minhas experiências de
leituras favoritas, são clássico bastante acessíveis, maioritariamente curtos,
e continuo a ler pelo menos um por ano.
Durante imenso
tempo, justifiquei a minha posição com o meu gosto para livros mais virados
para a interioridade, com menos diálogo e ação. Por exemplo, a abertura de A
Imortalidade em que observamos uma mulher a nadar. É há mais de dez anos a minha
abertura favorita de um livro.
Agora que
folheei alguns dos meus clássicos favoritos em busca de exemplos, percebi que
não é bem verdade: A Leste do Paraíso tem diálogo para dar e vender e
não me induz na espiral ansiosa e desorientada que senti ao ler Por quem os sinos
dobram. Os Subterrâneos da Liberdade tratam assuntos igualmente sérios
e políticos, no entanto, a escrita do Jorge Amado é tão cinematográfica que me
transporta para fora da página e para um cenário de telenovela. Kurt Vonnegut
escreve uma experiência completamente surreal entre raptos alienígenas e o
bombardeamento de Dresden no Matadouro Cinco e eu não leio as páginas num
ziguezague constante para saber o que vai acontecer ao ponto de ter de reler
todas as páginas duas vezes: primeiro o diálogo, depois o restante texto.
E todos eles
usam o mesmo recurso tipográfico para marcar o diálogo: o travessão Portanto,
não é uma questão de forma e de «fazer batota» para saber o que se vai passar a
seguir.
Começo a achar
que o problema sou eu.
Em A Leste do Paraíso a interposição do diálogo com excertos mais descritivos já ajudam a marcar o ritmo de outra forma e tornam o diálogo mais compreensível.
Kurt Vonnegut descreve-nos cenários completamente absurdos e mesmo assim tenho melhor compreensão do que se está a passar do que nas rajadas de páginas e páginas de diálogo de Hemingway.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Exercício 11 - Traduza o seguinte poema de Raymond Carver
Bebendo enquanto conduzo
Estamos em Agosto e já não
Leio um livro passam seis meses
exceto algo intitulado «A Retirada de Moscovo»
de Caulaincourt
Mesmo assim, sinto-me feliz
No carro, com o meu irmão
a beber bourbon da garrafa.
Não temos destino
Apenas conduzimos.
Se fechar os olhos por um instante
Estaria perdido, mas
Feliz me deitaria e dormiria
na berma desta estrada
O meu irmão cutuca-me
A qualquer momento, algo acontecerá.
Exercício 16: Traduza para outra língua este poema
Do not bullshit me. Do not lie.
Do not look me in the eye. Just go.
Save me your mealy-mouthed speeches.
And the farse of goodbye. Do not make a
scene.
Do not say you're sorry or that life
is what it is: that everything washes away.
That life and time can heal any wound.
I repeat, my love: be gone.
Take whatever you want of
what we once believed shared:
The books, the sandalwood sculptures,
The records, the portraits, the billiards.
Do not leave an address. Please:
My love, all I want is for you to fuck off.
Ansiedade ao rubro - versão final
Hoje, acordei cedo e preparei-me para uma entrevista de emprego. Vesti a minha roupa mais profissional. Despedi-me do meu gato e caminhei até à paragem de autocarros.
Qual não foi o meu espanto quando percebi que a paragem não existia. Simplesmente, já não circulavam autocarros em Portugal!
Instalou-se o pânico em mim. Lembrei-me dos ensinamentos daquele livro de meditação que li há uns meses e respirei fundo. Apercebi-me de que não queria saber daquele emprego. É mais importante ter saúde e um gato que me espere todos os dias à porta. Foi, então, que me ocorreu que tinha deixado a janela aberta.
Naquele momento, tudo o que aprendi com o livro de meditação já tinha ido pelos ares. A ansiedade e o stress haviam tomado conta de mim e já não me sentia eu mesma.
Porém, lembrei-me do que o meu ídolo me disse e que me ajudou a ultrapassar momentos difíceis,: "Posso não ser o melhor, mas na minha cabeça sou". Como o melhor do mundo, corri de volta a casa. No meio de toda esta confusão, esqueci-me de que o caminho de volta era íngreme e a minha resistência estava nas últimas. Não corri mais do que um par de metros e já não conseguia respirar.
Lembrei-me de uns exercícios para a ansiedade que vi num vídeo do TikTok e consegui-me acalmar. Já não tinha interesse naquele emprego, decidi ir ao lago dos peixinhos, que ficava perto de casa.
- Então e o gato?! - perguntou a voz da minha cabeça.
- O gato fugiu pela janela! - pensei, angustiada.
Foi, então, que, ao chegar ao lago, o descobri sem peixinhos e o que parecia ser o último sobrevivente, estava na boca do meu gato!
- SIMBA!! - gritei desesperada, ao ver o meu gato laranja e gordo a almoçar os peixes do lago. Consegui agarrá-lo e pô-lo no meu colo, onde, após encher o bucho, escolheu dormir. O seu ronronar trouxe-me paz.
Paz era aquilo que eu mais procurava naquele momento. Só eu e o meu gato.
Exercício 15: história triste em três palavras
— Agora só amanhã.
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