terça-feira, 31 de março de 2026

Exercício 16: tradução do poema "Não Inventes" de José Carlos Barros

 Don't bullshit me


Don't bullshit me. Don't make things up.

Don't look me in the eyes. Just leave.

And spare me the well-spoken speeches

and the farces of goodbyes. Don't make a scene.


Don´t say you're sorry or that life

sometimes is like this: that it all forgets;

that the world and time heal any wound.

I repeat, my love: get lost.


And take whatever you want from all 

we once thought we'd share:

the books, the palo santo sculptures,

the records, the portraits, the billiards.


Don't leave addresses. Please:

I just want you to fuck off, my love.


História triste em três palavras.

 Ele morreu sozinho.

Tradução do poema "Não Inventes", de José Carlos Barros

DON'T EVEN START

Cut the bullshit. Don't even start.
Don’t look me in the eye. Just leave. 
And spare the fancy speeches
and the sentimental farewells. Don’t make a scene. 

Don’t say you’re sorry or that life
works like this: that everything fades; 
that the world and time heal any wound.
I repeat, my love: get lost. 

And take whatever you want. Everything we
once thought we’d share:
the books, the rosewood statues,
the records, the portraits, the pool table. 
 
Don’t leave any address. Please:
I want you to fuck yourself, my love. 
 



Uma história triste em três palavras

Não me contrataram.

Exercício 16 - Tradução do poema "Não Inventes"

Don’t make things up

Don´t bullshit me. Don´t make things up.

Don’t look me in the eyes. Just leave.

And spare me your eloquent speeches

and the fakes goodbyes. Don’t make a scene.

 

Don´t say that you are sorry or that life

sometimes is like this: that everything is forgotten;

that the world and time heal any wound.

I say it again, my love: disappear.

 

And take as much as you want of all

we one day thought we’d share:

the books, the palo santo sculptures,

the records, the portraits, the pool table.

 

Don’t leave an address. Please:

I want you to fuck yourself, my love.

Matilde Cabana   

Exercício 15 - Uma história triste com apenas 3 palavras

 Não a encontrou. 

Exercício 14 - Rever um trecho de um artigo

 


Matilde Cabana    

sábado, 28 de março de 2026

Exercício 16: Tradução de poema "Não inventes"

DON'T EVEN START 

Don't bullshit me. Don't make things up
Don't look in my eye. Just leave.
And spare me the elaborate speeches
and fake goodbyes. Don't make a scene.

Don't say you're sorry or that life
is sometimes like this: that all is forgotten;
that the world and time heal all wounds.
I say again, my love: begone.

And take all that you want from what
we one day thought we'd share:
the books, the palo santo sculptures,
the records, the portraits, the pool table.

Don't leave an address. Please:
I just want you to go fuck yourself, my love.



Catarina Ricardo

sexta-feira, 27 de março de 2026

Exercício 16. Tradução do poema "Não inventes" de José Carlos Barros.

NU INVENTA

  

Nu veni aici cu prostii. Nu inventa.

Nu te uita în ochii mei. Pleacă.

Și nu-mi ține discursuri elocvente

Și de despărțirile ridicole. Nu complica.

 

Nu spune că regreți sau că viața

e uneori așa: că uita totul;

că lumea și timpul vindecă orice rană.

Repet, iubirea mea: dispare.

 

Și ia ce vrei din totul care cândva

am crezut că am împărțit odată:

cărțile, sculpturile din lemn sfânt,

discurile, portretele, biliardul.

 

Nu lăsa nici-o adresă. Te rog:

vreau doar să te duci dracului, dragostea mea.

Exercício 15. Escreva uma história triste em três palavras.

 O mal venceu.

Exercício 14 - Rever um trecho de um artigo

descivilizador do próprio regime econó-

mico e do quadro de competição que vai 

sendo potenciado, e que consegue embru-

tecer qualquer um de nós, despertando-

-o para esses instintos ocultos: a cobiça,

a violência, o ódio pelo outro, o relativis-

mo moral… Somos assim confrontados 

com a precariedade dos valores contem-

porâneos, precisamente por uma

função iminentemente anticultural, ou 

seja, desumana nos preceitos que orga-

nizam o ambiente económico e tudo aqui-

lo que se considera que promove o de-

senvolvimento e progresso das nossas 

sociedades. Vemos como a degradação

dos valores se liga a uma regressão uni-

versal que atinge a esfera pública e social

como uma infeção, expandindo-se em 

todos os sentidos, com uma perniciosa 

trauma punitiva (...)


Diogo Moreira

quinta-feira, 26 de março de 2026

Exercício 16 - Traduza para outra língua este poema

Don't bullshit me. Don't make things up.

Don't look me in the eyes. Just leave.

Spare me of your flowery speeches

and your fake goodbyes. Don't make a scene.


Don't say you´re sorry or that sometimes

life is this way: that everything is forgotten;

that the world and time cure any wound.

I repeat, my love: go away.


And take as much as you want of all

we once thought of sharing:

the books. the wooden sculptures,

the discs, the portraits, the pool table.


Don't leave any addresses. Please:

I want you to fuck of, my love.


Diogo Moreira

Exercício 15 - Escreva uma história triste com 3 palavras

 Benfica na Champions


Diogo Moreira

Trabalhar na feira do livro

 Para quem tiver interesse, o Grupo Infinito Particular está a aceitar candidaturas para quem quiser fazer parte do staff entre os dias 27 de maio e 14 de junho na feira do livro de Lisboa.

Acho que é uma ótima oportunidade para quem vive em Lisboa e pode não ter nada para fazer nesses dias, sempre dá para estar a trabalhar com livros, conhecer pessoas com os mesmos interesses, e o mais óbvio, receber dinheiro, o que dá sempre jeito.

A notificação apareceu-me no LinkedIn, não sei se há mais grupos a precisarem, mas pessoalmente gosto imenso deste porque a Desrotina faz parte das chancelas deles.

Vou deixar aqui o link da inscrição para quem não tem o LinkedIn e gostava de participar!

Link: https://lnkd.in/er3a6EdA

Exercício 15: Escrever uma história triste em 3 palavras

     Acabaram os livros.

Exercício 16: Traduzir o poema

 DON'T MAKE THINGS UP

Don't come here with bullshit. Don't make things up.

Don't look in my eyes. Leave.

And spare me of your articulated speeches

and the hoaxes of goodbye. Don’t make a scene.

 

Don’t say you regret or that life

sometimes is like that: that everything forgets;

that the world and time cures any wound.

I repeat, my love: disappear.

 

And take whatever you want of everything

once suspected we shared:

the books, the sculptures in Palo Santo,

the vinyl, the portraits, the billiard.

 

Don’t leave addresses. Please.

I want you to go fuck yourself, my love.


Exercício 14: Rever trecho de um artigo

'que desciviliza o próprio regime económico e do quadro de competição que vai sendo potenciado, e que consegue embrutecer qualquer um de nós, despertando-o para esses instintos ocultos: a cobiça, a violência, o ódio pelo outro, o relativismo moral… Somos assim confrontados com a precaridade dos valores contemporâneos, precisamente por uma função iminentemente anti cultural, ou seja, desumana nos preceitos que organizam o ambiente económico e tudo aquilo que se considera que promove o desenvolvimento e progresso das nossas sociedades. Vemos como a degradação dos valores se liga a uma regressão universal que atinge a esfera pública e social como uma infeção, expandindo-se em todos os sentidos, com uma perniciosa trauma punitiva (...)' i (05/03/2024, p.26)

Exercício 11: Traduzir o poema 'Drinking while Driving' de Raymond Carver

Beber a Conduzir

É agosto e eu não

leio um livro há seis meses

exceto algo chamado 'The Retreat from Moscow'

de Caulaincourt

Todavia, estou feliz

a andar de carro com o meu irmão

e a beber um copo de Old Crow.

Não temos nenhum lugar em mente para ir,

só estamos a conduzir.

Se eu fechasse os meus olhos por um minuto

estaria perdido, ainda assim

Eu poderia de bom grado deitar-me e dormir para sempre

ao lado desta estrada

O meu irmão dá-me uma cotovelada.

A qualquer momento agora, algo irá acontecer.

'O Elefante Dançante' reeditado

 

Em pleno inverno, um elefante com um vestido cor-de-rosa e unhas pintadas de verde florescente foi avistado a voar, com um ar aborrecido, pela cidade de Aveiro. Aquele animal, que no passado se arrastava, levitava agora pelos canais, fazendo ciúmes aos moliceiros e deixando um rasto de espanto e curiosidade na expressão dos turistas. Não obstante a estupefação daqueles que por ali passavam, o elefante insistia no seu bailado. Os turistas, habituados apenas às danças dos peixes na ria, murmuravam entre si sobre os motivos que levaram o elefante à representação de tão bela peça. Vários cidadãos, de lágrimas nos olhos, comentavam que tal espetáculo merecia maior público, antevendo a necessidade de criar um evento itinerante que passasse por outras cidades do país, como Coimbra, Castelo Branco e até pelo Seixal.

Tão conhecido ficou o pobre elefante que atraíra atenções indesejadas: os cientistas russos. Os próximos meses deixaram várias cidades portuguesas assoberbadas com a quantidade de russos, que não conseguiam prever com precisão a trajetória do elefante dançante. E o elefante continuou a voar, pávido e sereno, sem fazer a menor ideia de que cidades inteiras paravam para a sua passagem. Nem sonhava, que estava em perigo a sua liberdade – queriam pará-lo urgentemente para o poder testar. Afinal de contas, todos queremos voar.

O impacto foi tal que o novo governo teve de proibir a cobertura televisiva do Elefante de Aveiro. A ria tornara-se pequena para tamanha enchente de curiosos. Nessa altura, já o sindicato dos Peixes se havia reunido inúmeras vezes, para combater tão desleal concorrência - a Ria sempre tinha sido deles, todas as atenções sempre neles estiveram concentradas e estavam agora relegados para o plano da indiferença. Decidiram então estrear um novo número, convidando figuras internacionais a participar. Foi neste sentido que o reunido sindicato acabou por decidir enviar a Sua Alteza Real, Doutor Elon Musk, um convite, não só para participar no evento, mas também para os apadrinhar, à imagem dos apadrinhamentos que acontecem em Lisboa.

Porém, não havia nada que pudessem fazer para retirar as atenções do elefante de cor-de-rosa, que continuou a sobrevoar Portugal e a alegrar quem sabia simplesmente apreciar a nova arte do esplêndido animal. "Foda-se", disseram os russos, mas em russo.

Exercício 15: Escreva uma história triste usando só três palavras

 Portal das Finanças.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Exercício 11

A beber enquanto conduzimos

É Agosto e eu não
Leio um livro há seis meses
sem ser algo chamado The Retreat from Moscow
de Caulaincourt
Porém, estou feliz
A andar de carro com o meu irmão
e a beber de uma garrafa de Old Crow.
Não temos um destino em mente
Andamos apenas.
Se eu fechasse os olhos por um minuto
Perder-me-ia, no entanto
poderia deitar-me de bom grado e dormir para sempre
à beira desta estrada
O meu irmão cutuca-me.
A qualquer instante, algo acontecerá. 





Exercício 15: Escreva uma história triste usando só três palavras

Viu-a no relógio. 

Tradução do poema «Drinking while driving» de Raymond Carver - Exercício 11

 Drinking while driving - A beber enquanto conduzo.


É agosto e ainda não li 

um livro em seis meses

exceto uma coisa chamada «The Retreat from Moscow» de Caulaincourt.


Ainda assim, estou feliz.

Conduzindo um carro junto do meu irmão e 

bebendo uma garrafa de Old Crow.


Nós não temos nenhum local planeado para ir,

estamos apenas a conduzir.

Se eu fechasse os olhos por um minuto, ainda estaria perdido.

Eu poderia deitar e dormir grato para sempre ao lado desta estrada.


Meu irmão acotovela-me. A qualquer momento agora, algo irá acontecer.


(Traduzido por Gabriel de Oliveira Alves)

Exercício 11 - Tradução de "Drinking while driving" de Raymond Carter

 Beber a conduzir

É agosto e eu
Já não leio um livro há seis meses
exceto um chamado The Retreat
from Moscow
de Caulaincourt
Ainda assim, estou feliz
A conduzir com o meu irmão
e a beber um copo de Old Crow.

Não temos ideia de onde
ir,
estamos apenas a conduzir.
Se fechasse os meus olhos por um momento
Estaria perdido, no entanto
Preferia de bom grado deitar-me e dormir
eternamente
à beira desta estrada
O meu irmão toca-me.
A qualquer momento, algo irá
acontecer.

José Saramago: O polémico vencedor do Nobel (Exercício 12)

 José Saramago, tantas vezes acusado de “não saber escrever”, mas que tem uma das vozes mais difundidas para o público em geral e por muitos considerada das mais únicas da escrita portuguesa. É essencialmente conhecido pelo seu estilo oral: pouco uso de pontuação (porque, sim, existe pontuação, ela só é menos rígida do que o normal), discursos diretos marcados de forma mais flexível… 


Apesar deste estilo da sua voz ser mal compreendida por uma grande percentagem dos leitores por considerarem ser uma leitura mais complicada de se fazer, talvez esta escrita seja uma forma de nos obrigar a prestar atenção à mensagem que o escritor pretende passar aos seus leitores.


Carolina Lucas


Exercício 11 - Tradução de "Drinking while driving", de Raymond Carver

 

A beber e a conduzir

 

É agosto

e eu não li nenhum livro nos últimos seis meses,

exceto algo chamado The Retreat from Moscow

de Caulaincourt.

Ainda assim, estou feliz,

a andar de carro com o meu irmão

e a beber de uma garrafa de Old Crow.

Não temos nenhum sítio em mente

para irmos:

estamos só a conduzir.

Se fechasse os olhos,

durante um minuto,

estaria perdido,

mas, mesmo assim,

Poderia deitar-me com prazer e dormir eternamente,

a par desta estrada.

O meu irmão dá-me uma cotovelada.

A qualquer momento, alguma coisa vai acontecer.

Exercício 11 - tradução de "Drinking and driving"

Tradução do poema "Drinking and driving" de Raymond Carver.



Beber e guiar

 É agosto e,

em meio ano, não li nada

excepto um livro chamado A Retirada

de Moscovo,

do Caulaincourt.

Ainda assim, estou feliz.

Vou eu e o meu irmão no carro.

Enquanto conduzo, bebo uma

de Old Crow.

Não sabemos para onde vamos,

não temos nada em mente,

apenas vamos.

Se fechasse os olhos por um minuto,

estaria perdido, mas

poderia com certeza deitar-me

e, pelo menos, perder-me 

para sempre, estrada fora.

O meu irmão puxa por mim.

A partir de agora,

a qualquer minuto, 

algo vai acontecer.

Uma voz com quarto próprio - Exercício 12


Ler Virginia Woolf hoje


Um livro que li e que me deixou marcas pela sua voz foi Um Quarto Só Seu, de Virginia Woolf. Quase me sinto envergonhada de admitir que só li este livro no verão passado – era um livro para ser lido e servir de guia enquanto fosse ainda jovem. E digo isto porque Virginia tem uma voz poderosa neste ensaio – imperativa e provocadora – que me fez pensar e agir. Antes tarde que nunca, aplica-se aqui na perfeição. 

Já a razão da escolha deste livro para o exercício proposto em aula é mais utilitária: preguiça! O livro está todo anotado da minha leitura, logo é um processo muito simples de copy-paste das anotações para o ficheiro Word. Tenho sublinhados, notas ao lado do texto e até páginas escritas com ações a tomar, propostas de recolha de informação sobre mulheres escritoras, o seu papel na literatura, uma cronologia e até uma ideia para um conto. 

A premissa de Virginia para a escrita deste ensaio (que penso ser válida ainda hoje): uma mulher tem de ter dinheiro e um quarto só seu para escrever ficção (sublinhado da página 4). 

Se a mãe de Mary Seton lhe tivesse deixado dinheiro, poderiam aquelas duas mulheres escritoras sentar-se à mesa e falar sobre arqueologia, botânica, antropologia, física, matemática. Hoje, mantemos a mesma lógica: ainda temos de gastar tempo a defender os direitos da mulher, quando poderíamos estar a debater temas muito mais interessantes e prementes. 

Mas se a mãe de Mary tivesse trabalhado para amealhar dinheiro, provavelmente Mary não teria nascido – uma mulher trabalhadora não tem tempo para os filhos, pois apenas a mulher, a mãe está lá para os criar, para tomar conta da família. 

Ao homem cabe uma contribuição biológica pontual e uma contribuição financeira regular. À mulher, o melhor papel: um investimento contínuo em tempo, paciência, carinho e disponibilidade, podendo perfeitamente descurar o seu papel profissional pelo bem maior. (pp. 31–32). 

Diz Virginia que Napoleão e Mussolini insistiram na inferioridade das mulheres, pois se elas não fossem inferiores, deixariam de engrandecê-los (p. 53). Ora já diz a sabedoria popular que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Sábia o suficiente para saber que se deve apagar em prol do brilho masculino. Pois que, com o mesmo trabalho, o homem tem muito maior reconhecimento. 

Convenhamos: o sucesso masculino tende a pacificar o ambiente doméstico, para além de o enriquecer. Válido então para todas as mulheres que não queiram ser escritoras. Para essas, defende Virginia, a emancipação financeira é condição necessária para a emancipação intelectual.

Mas os argumentos usados por Woolf seriam válidos no tempo dela, e não se aplicam já à atualidade: as leis da herança mudaram e tratam os herdeiros todos por igual, independentemente do seu género; as empresas pagam exatamente o mesmo a homens e mulheres; o sexo feminino não é sobrecarregado com trabalho informal não remunerado; o assédio é praticamente uma relíquia arqueológica; as mulheres têm o mesmo nível de acesso à educação e a cargos políticos e estão igualmente representadas na literatura. 

Mais: hoje, a escrita de grandes livros é tão provável ter origem numa voz feminina ou masculina. Vejamos o exemplo que Virginia nos dá: teria Tolstói conseguido escrever Guerra e Paz, se vivesse em casa, recluso com uma mulher casada, isolado do mundo? Dificilmente! (p. 106). 

Porque em tempos idos, a mulher não tinha liberdade para “viver livremente com esta cigana ou com aquela grande senhora; ir a guerras; colher, sem peias nem censura, toda a variegada experiência da vida humana para mais tarde usar” na sua escrita. Felizmente – dirão alguns – those days are gone, e mulheres que viajam sozinhas raramente são importunadas ou se sentem em perigo. 

E é fácil, depois da recolha de informação, a mulher isolar-se num quarto só seu, a escrever. A transformar essa experiência em palavras, num espaço privado onde não seja interrompida e possa trabalhar em continuidade. Quem sabe se o título atualizado não seria: Uma Cozinha Só Sua – um território muito mais reservado, onde raramente a mulher é interrompida.

Se sentem a minha voz irritada e irónica, é porque traduzi bem o espírito de Virginia na escrita deste ensaio. Bem, como eu a li; a intenção dela, só ela a sabe. Felizmente, moro com três homens que discordam totalmente do texto que escrevi: em casa, as tarefas são partilhadas, as conversas são sobre a atualidade e os êxitos são comuns. Mas também: um escolhi-o eu, e os outros fiz questão de os educar.






Exercício 11: tradução do poema de Raymond Carver

 Bebendo enquanto conduzo


É agosto e não 
Leio um livro há seis meses
excepto algo chamado A Retirada
de Moscovo
de Caulaincourt
No entanto, estou feliz
A conduzir num carro com o meu irmão
e a beber de uma garrafa de Old Crow.
Não temos qualquer lugar em mente para onde 
ir,
estamos só a conduzir.
Se eu fechasse os olhos por um minuto
Estaria perdido, ainda assim
Poderia prazerosamente deitar-me e dormir 
para sempre
junto desta estrada
O meu irmão acotovela-me.
A qualquer minuto, algo acontecerá.


Exercício 11

 

Beber a Conduzir

 

É agosto e eu não

Leio um livro há seis meses

exceto algo chamado A Retirada de Moscovo

de Caulaincort

No entanto, estou feliz

A andar de carro com o meu irmão

e a beber uma garrafa de Old Crow.

Não vamos a nenhum sítio em especial,

estamos só a andar de carro.

Se fechasse os olhos por uns instantes

estaria perdido, mas

Deitar-me-ia com prazer e dormiria eternamente

na berma desta estrada

O meu irmão dá-me um toque.

A qualquer momento, algo irá acontecer.


(Traduzido por Tiago Gonçalves)

Exercício 11

 Tradução de Drinking while driving, de Raymond Carver


A beber enquanto conduzo


É agosto e eu não leio

Um livro há seis meses

exceto um chamado A Retirada

de Moscovo,

de Caulaincourt.

No entanto, estou feliz,

A conduzir com o meu irmão

e a beber uma caneca de cerveja de Old Crow.

Não temos em mente nenhum destino,

apenas conduzimos.

Se eu fechasse os olhos por um instante

estaria perdido, ainda assim

deitar-me-ia com todo o prazer e dormiria para sempre

na berma desta estrada

O meu irmão toca-me.

A qualquer momento, algo vai acontecer.


terça-feira, 24 de março de 2026

Exercício 13 - 1 género, 4 designs diferentes

 1 género, 4 designs diferentes

    Comecemos então pelo que muitos consideram o primeiro romance de literatura gótica, The Castle of Otranto (1764) de Horace Walpole, e um dos mais controversos do género, The Monk (1796) de Matthew Lewis.

Se há capas que conseguem passar a atmosfera de um género através das suas ilustrações, as da coleção Oxford World 's Classics merecem um lugar de honra. A escolha de cores, a ilustração e a simplicidade nas fontes seguem o lema de “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Atrevo-me a lê-lo? Pensará o leitor ao ver estas belas capas numa livraria.






    As contracapas demonstram simplicidade na forma como apresentam o seu conteúdo. Leve para os olhos, leitura acessível e com a dose suficiente de resumo, contexto e conteúdo de cada livro. O suficiente para informar, despertar curiosidade e prender o leitor.



    De seguida, a simplicidade de Penguin Little Black Classics com The Vampyre (1819) de John Polidori. Haverá demasiado simples no mundo das capas e contracapas? Acredito que sim, porém esta não será uma delas. Fazer uma capa é simples, fazer uma capa simples o suficiente é difícil. 




    Tendo em conta que The Vampyre é um conto devido à sua pequena dimensão, a simplicidade e informação reduzida em ambas capa e contracapa apresenta coerência com o mesmo. O preto predominante com detalhes brancos é um modelo difícil de errar. Numa coleção de clássicos de uma editora de grande nome, por vezes, os títulos são suficientes.

    Se falamos em vampiros, como não falar de Dracula (1897) de Bram Stoker. Nesta edição de Collins Classics (sim, há um padrão de clássicos) mantemos a sequência de cores de tom mais escuro, com uma ilustração, porém, com um intuito diferente. Não desafia o autor, apenas mostra-lhe outra região, outro mundo onde, talvez, a curiosidade e os estranhos não são bem vindos. Não é provocativa, é serena, no seu sentido. Uma paz de séculos.



    A contracapa apresenta-nos uma breve sinopse de uma história tão bem conhecida, com contraste entre preto, branco e laranja.

    Por último, e para dar vida a esta lista, temos Frankenstein (1818) de Mary Shelley. Nesta edição de Wordsworth Classics, de gótico só o nome da obra, apresentando um design mais espampanante em comparação com os anteriores mencionados. Apesar de tudo, funciona. Destaca-se nas prateleiras, agarra a atenção do leitor e apresenta-lhe um packaging diferente. As cores são diferentes, a ilustração mostra ação e vida, num mundo tão cruel.


    O forte de Frankenstein não está no seu terror, mas sim na beleza da sua tragédia. A máquina e os experimentos que deram vida, e uma crise existencial, a algo que a natureza não criou. A capa mostra isso. A mesma não deveria pertencer neste género, mas, à sua maneira, tem um impacto positivo.



    No que diz respeito à contracapa, nada a acrescentar. Segue o padrão dos livros de clássicos.


    Em suma, as capas e contracapas dos clássicos de literatura gótica não têm todas o mesmo objetivo (sem ser vender, claro). Enquanto umas são mais provocativas, desafiando o leitor, outras preferem atraí-lo com uma atmosfera serena, mas mortal. E depois, claro, temos Frankenstein, o outcast do grupo.


Diogo Moreira



Exercício 11

Bebo enquanto conduzo

É agosto e já não
Leio um livro em seis meses
Exceto algo chamado A Retirada de Moscovo
De Caulaincourt
Ainda assim, estou feliz
A andar de carro com o meu irmão
E a beber uma lata de Old Crow
Não temos nenhum destino em mente,
Apenas conduzimos.
Se fechasse os meus olhos por um minuto
Estaria perdido, contudo
Poderia deitar-me e adormeceria eternamente com gosto
Junto a esta estrada
O meu irmão acotovela-me.
A qualquer momento, algo acontecerá.



Catarina Ricardo

Exercício 11, Drinking While Driving, de Raymond Carver

Bebo enquanto conduzo


É agosto e não

leio um livro há seis meses

exceto um chamado "A Retirada de Moscovo"

de Caulaincourt.

Mesmo assim, sou feliz

No carro com o meu irmão

e a beber uma cerveja de Old Crow.

Não temos em mente nenhum lugar para onde ir,

apenas conduzimos.

Se eu fechasse os meus olhos por um minuto

estaria perdido, porém

poderia deitar-me de bom grado e dormir para sempre

na berma desta estrada

O meu irmão toca-me,

A qualquer momento, algo irá acontecer.


Diogo Moreira


Exercício 13


Falemos um pouco, então, sobre capas, contracapas e badanas. Trago-vos estes livros.

 
Este primeiro Luanda Lisboa Paraíso, Companhia das Letras contém na capa uma ilustração original de Suza Monteiro (tem perfil de Instagram, caso tenham interesse: https://www.instagram.com/susamonteiro/). A capa é, para mim, belíssima e, neste caso, ilustra de certo modo uma personagem da obra. As cores são lindas e com uma boa organização do título da obra e da autora na página. Já a contracapa, a meu ver, perde alguns pontos. Tem imenso texto e repete o título da obra. Tem a sinopse, uma citação e informações acerca da editora. Proposta: retirar o título, deixar a sinopse tal e qual, mas escolher uma citação menos extensa, pois cria um certo peso visual. A divisão por duas cores com a risca branca no meio a meu ver também está ótima, com o logótipo da chancela no centro. Na badana há críticas referentes a uma outra obra da autora, criando um potencial interesse no leitor, isto se o leitor se tiver dado ao trabalho de abrir o livro em loja.
 
De seguida, uma edição da Livros do Brasil, pertencente ao grupo Porto Editora, neste caso um livro de John Steinbeck à espera de ser lido (perdoem-me). A minha relação com as capas desta editora é de um certo amor-desgosto (nunca ódio), porque, por vezes, o método repetitivo torna-se cansativo (devem com certeza estar a poupar no departamento de design). Contudo, com o passar dos anos, e talvez pela escolha de cores que ultimamente tenho visto a ser utilizada pela editora, esse desgosto tem vindo a diminuir. Porém, tendo em conta os clássicos que muitas vezes publicam, gostaria de ver uma capa um pouco mais original e não tão simples. No exemplo que trago temos o seguinte: uma cor bonita, uma espécie de verde-musgo, mas, por outro lado, temos um texto de contracapa a preto que é dificilmente compreensível e legível devido à cor da capa.

Por outro lado, poderiam dizer: “As famosas capas da Penguin Classics também são de certo modo repetitivas.” E eu diria: com certeza, porém, trazem algo de refrescante ao combinar literatura e arte visual. Por exemplo, a Relógio D’Água também emprega este modelo nos clássicos que publica, combinando a obra com uma pintura que a represente de algum modo.

 

 
Uma editora que elogio muito pela lealdade ao design que todos conhecemos: a Tinta da China. Neste caso, a capa emprega elementos referentes ao autor, neste caso heterónimo de Fernando Pessoa, tendo, também, uma contracapa simples onde constam uns versos, uma biografia e explicação dos conteúdos da edição. Talvez a cor da capa não seja a melhor, contudo oferece destaque ao texto. 


 

Por último, Alfaguara, chancela da Penguin Random House. Uma edição de Se Esta Rua Falasse de James Baldwin, cuja capa reutiliza (ou recicla, se preferirem) a fotografia da capa original da edição da Vintage International (creio ser uma chancela do grupo Penguin do Canadá). A fotografia ilustra bem a obra que apresenta, e a organização do texto da capa também está ótima (modelo corrente da Alfaguara). A contracapa parece-me um pouco cheia, acaba por ficar com menos espaço para organizar o texto devido à risca preta, no entanto não tenho sugestão de alteração. Aprecio a crítica de Toni Morrison e considero, de certo modo, necessária.

Em suma, tenho de dizer que temos, em Portugal, imensas opções e capas interessantíssimas e diversas. 

 

Alexandra Gutu 

Exercício 11

 Beber ao volante


            É agosto e eu não
            Leio um livro há seis meses 
            a não ser algo chamado The Retreat from Moscow 
            de Caulaincourt 
            Mesmo assim, estou feliz 
            A andar num carro com o meu irmão 
            e a beber de uma garrafa de Old Crow. 
            Não temos nenhum destino em mente, 
            conduzimos apenas. 
            Se fechasse os olhos por um minuto, 
            perder-me-ia, e ainda assim 
            de bom grado poderia deitar-me e dormir para sempre  
            à beira desta estrada 
            O meu irmão dá-me um toque. 
            A qualquer momento, algo vai acontecer

Beatriz Urbano

Tradução do poema "Drinking while driving", de Raymond Carver

Beber e conduzir

 

É agosto e eu não

Leio um livro há seis meses

exceto algo chamado A Retirada

de Moscovo,

de Caulaincourt

De qualquer forma, estou feliz

A andar de carro com o meu irmão

e a beber uma garrafa de Old Crow.

Não temos em mente para onde

ir,

estamos só a conduzir.

Se fechasse os olhos por um minuto,

Estaria perdido, mas

De bom grado poderia deitar-me e dormir

para sempre

à beira desta estrada

O meu irmão faz-me sinal.

A qualquer momento, algo vai

acontecer.

Tradução de "Drinking while driving" de Raymond Carver

Beber e conduzir

 

É agosto e não leio

Um livro há seis meses

Exceto “A Retirada

de Moscovo”

de Caulaincourt

Apesar disso, eu sou feliz

No carro com o meu irmão

E bebendo de uma garrafa Old Crow.

Sem destino em mente,

Apenas conduzimos.

Se eu fechasse os olhos por um minuto

Estaria perdido, ainda assim

Com prazer deitar-me-ia e dormiria

Para todo o sempre

À beira desta estrada

O meu irmão gentilmente me acorda.

A qualquer momento, algo poderá acontecer. 

 

 

 

Alexandra Gutu 

Tradução de Drinking While Driving, de Raymond Carter

 

A beber enquanto conduzimos


É agosto e eu não

leio um livro há seis meses

exceto um chamado ‘A Retirada de Moscovo’

de Caulaincourt

No entanto, estou feliz

A andar de carro com o meu irmão

e a beber cerveja Old Crow.

Não temos nenhum sítio em mente,

estamos só a conduzir.

Se eu fechasse os olhos por um minuto

estaria perdido, ainda assim

poderia deitar-me de bom grado e dormir para sempre

na berma desta estrada

O meu irmão dá-me um empurrão.

A qualquer momento, algo pode acontecer.


Exercício 15: história triste em três palavras

  —  Agora só amanhã.