Já não quero saber (bruto)
Era uma vez uma criança que queria saber.
Esta é a história do seu primeiro encontro com a indiferença. [Diana]
Certo dia, estava no parque a baloiçar e a aproveitar o leve vento que fazia esvoaçar o seu cachecol, até que viu um movimento atrás de um arbusto. [Inês]
Num vôo admirável, saiu do baloiço e foi a correr ver o que era. Baixou-se e rastejou debaixo das folhas até que a viu [André]: a formiga do bosque encantado, estava a crescer para poderem conversar. Apesar de Celia fazer perguntas e mais perguntas à formiga branca, esta apenas lhe respondia que estavam adiantadas e deveriam esperar. [Ana]
Tratava-se de uma formiga espantosa, de corpo cada vez mais inchado, camisola de padrão leopardo, sapatos vermelhos e uns olhos que pareciam fitar o mais completo vazio. [Tiago]
Na verdade, a formiga pouco se importava com ela, só queria saber de si própria. [Adriana]
Por mais perguntas que lhe fizesse, a formiga recusava-se a responder. Mas não havia volta a dar: a criança queria saber! [Diana]
A criança queria tanto entrar no mundo da formiga e estava tão curiosa para saber mais sobre ela mas a formiga, sem sequer a olhar nos olhos, continuava o seu dia como se ela não existisse. [Inês]
Foi aí que a criança se lembrou do chocolate que tinha no bolso. Mal abriu o invólucro, o cheiro do doce iluminou os olhos da formiga. A criança disse-lhe então: [André]
— Tudo isto será teu se me responderes a algumas perguntas.
Perante a concordância da formiga, Celia continuou:
— Para que estamos adiantadas? Onde vais? Quando páras de crescer? E porque usas sapatos vermelhos? [Ana]
“Ouve, miúda”, respondeu a magnífica formiga, “eu sou apenas uma humilde formiga, nascida e criada em Mirandela, numa família de poucas posses, e não gostava de entrar numa onda de perguntas existenciais”. [Tiago]
A formiga voltou então ao seu silêncio que, apesar de ser indesejado, se tornava familiar para a criança. [Adriana]
E foi nesse dia que a criança aprendeu a estar calada. [Diana]
Já não quero saber (editado)
Era uma vez uma criança que queria saber. Esta é a história do seu primeiro encontro com a indiferença.
Certo dia, estava no parque a baloiçar e a aproveitar o leve vento que fazia esvoaçar o seu cachecol, até que viu um movimento atrás de um arbusto. Num voo admirável, saiu do baloiço e foi a correr ver o que era. Baixou-se e rastejou debaixo das folhas até que a viu: a formiga do bosque encantado, que aparentava estar a crescer para poderem conversar. Tratava-se de uma formiga espantosa, de corpo cada vez mais inchado, camisola de padrão leopardo, sapatos vermelhos e uns olhos que pareciam fitar o mais completo vazio.
Apesar de Célia fazer perguntas e mais perguntas à formiga branca, esta apenas lhe respondia que estavam adiantadas e deveriam esperar. Na verdade, a formiga pouco se importava com ela. Por mais perguntas que lhe fizesse, ela recusava-se a responder. Mas não havia volta a dar: a criança queria saber! Queria tanto entrar no mundo da formiga, estava tão curiosa para saber mais sobre ela; mas a formiga, sem sequer a olhar nos olhos, continuava o seu dia, como se ela não existisse.
Foi então que a criança se lembrou do chocolate que tinha no bolso. Mal abriu o invólucro, o cheiro do doce logo iluminou os olhos da formiga. A criança disse-lhe então:
— Tudo isto será teu se me responderes a algumas perguntas.
Perante a concordância da formiga, Célia continuou:
— Para que estamos adiantadas? Onde vais? Quando paras de crescer? E porque usas sapatos vermelhos?
— Ouve, miúda — respondeu a magnífica formiga — Eu sou apenas uma humilde formiga, nascida e criada em Mirandela, numa família de poucas posses, e não gostava de entrar numa onda de perguntas existenciais.
A formiga voltou então ao seu silêncio que, apesar de ser indesejado, se tornava familiar para a criança.
E foi nesse dia que a criança aprendeu a estar calada.
Já não quero saber (outra interpretação)