sábado, 29 de novembro de 2025

Dia da Livraria e do Livreiro

 


Amanhã, dia 30 de novembro, celebra-se o Dia da Livraria e do Livreiro na livraria Snob. 

A quem tiver interesse e disponibilidade, deixo o programa de atividades publicado na página da livraria:

Às 16h, realizar-se-á a conferência «Subversão: A Maternidade na Literatura», acerca de um curso de literatura que se iniciará no próximo ano e que irá analisar a representação da maternidade em autoras como Sheila Heiti, Charlotte Perkins Gilman e Vivian Gornkick.

Às 18h, poderão assistir ao lançamento da obra A Analfabeta, de Agota Kristof.


Um milhão de sonetos num pequeno livro

 Raymond Queneau. Aqui.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Sumário: Aula 26 de novembro

 

I. Valores/Princípios

Simplicidade

Economia

Rigor

(Clareza)

 

II. Coerente vs. Adequado

Regra: coerência interna, adequação externa.

A capa deve ser adequada ao miolo.

Coerência no alinhamento, tipo de letra, tamanho, paginação

Escolher uma variante e mantê-la até ao fim.


    Algumas formas de fazer uma bibliografia (disposição dos elementos):

    1. AUTOR, título em itálico ou sublinhado, local: editora, data

    2. Autor, (…)

    3. AUTOR (data) 


III. Pontuação

A pontuação, sendo o elemento mais pequeno do texto, consegue ser muito económica. No entanto, a sua importância é inconfundível, sendo ela que assinala o ritmo do texto.

Pontuação (pausas): . ; , !  !!!  ?  –  (  )

Pausas invisíveis: parágrafo/ironia/verso


IV. Tipos de revisão

1. Ler o texto à procura de gralhas.

2. Ler o texto à procura de incoerências gerais no padrão da leitura.

3. Rever como está feita a hifenização (verificar se há palavras mal partidas).

O Word, por estar programado com a norma inglesa, cria um problema no português. Quando existem pronomes reflexos e é preciso mudar de linha, muitas vezes não há a repetição do hífen na linha seguinte. 

Exemplo do correto: Espalha-se / Espalha-

                                                   - se


V. Saramago

Em Saramago, os capítulos são determinados pelo espaço em branco existente no início (margem superior da página). Todos os capítulos seguem este efeito visual.

Espaço em branco no início (coerente) vs. espaço em branco no final (aleatório, depende de onde cada capítulo vai terminar).

O texto tem de ter uma ordem, uma estrutura. Construir um livro é como construir um edifício, existe a presença de pilares.

Em Saramago, os elementos para cada capítulo (nome, numeração, etc) estiveram lá, foram retirados posteriormente. Milagre do texto longo: o trabalho final estético apaga toda a construção, por ser tão bem editado parece que foi escrito num só fôlego.


VI. Paginação (Teoria vs. Realidade)

Geralmente um capítulo começa numa página ímpar (página da abertura).

No entanto, pode quebrar-se a regra quando o livro tem capítulos curtos, para que não haja muitas folhas em branco e pouco conteúdo. Quando o livro é muito grande ou os capítulos são muito curtos, começam-se os capítulos também na página par.

Paginar é uma arte difícil, o paginador tem de fazer um esforço para arrumar o texto, de forma económica, clara, estética e mais barata - livro como objeto comercial.

Regra simples: quando há muito texto temos de tentar encurtar, com pouco texto temos de insuflar.

Exemplo: um livro de 800 páginas tem de encolher, um livro de 100 páginas tem de esticar.


VII. Ninharias

1. Conto de Raymond Carver editado por Gordon Lish: O editor Gordon Lish, de forma criativa, elimina grande parte do texto, tornando o final mais misterioso e ambíguo.

Geralmente uma boa edição torna o texto mais breve. Quando o texto está em bruto, está cheio de redundâncias – encontra-se ainda mal pensado.

2. Diferença entre Há/À:

Manifestantes contra a “ditadura sanitária”, usam camisolas com um erro ortográfico: “Não há ditadura sanitária”, quando devia ser: “Não à ditadura sanitária”, ou seja, dando o significado oposto àquilo que queriam reivindicar.

3. Tradução automática de uma sinopse do filme Fora de Controlo:

Evidences – traduzido como “evidências”, quando na realidade devia ser traduzido como “provas”.

4. Ementa de restaurante com erros: “Bifana no parto” e “Hambúrguer no parto”

5. Traduzir as milhas para quilómetros (demasiada precisão, contraste absurdo com a cena do filme): “Perseguiram-nos 16km, disparando uma chuva de flechas”

6. Cartoon: Homem numa ilha deserta a gesticular (a querer pedir socorro), enquanto passa um avião. No entanto, os pilotos interpretam os gestos como se ele estivesse a cumprimentá-los com um aceno – falha de comunicação, a mensagem que queremos passar deve ser clara.

 

VIII. Conversa sobre o mundo editorial

A aula termina com uma conversa sobre o mundo editorial, juntamente com a projeção de uma imagem, onde um livro está a ser usado como máscara, e com a frase seguinte: Usemos un libro para protegernos de la ignorancia.

Quantos livros têm de ser vendidos até a edição estar paga?

Sucesso: vender os livros suficientes para pagar a produção, mais um exemplar para dar uma pequena margem de lucro e cobrir o gasto.

O dever de qualquer empresa é dar lucro.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Os autores portugueses conseguem viver dos livros?

Vi, há pouco, um vídeo interessante da escritora Filipa Fonseca Silva que a própria publicou na sua conta do TikTok, onde a autora afirma que não é possível para um escritor português viver apenas dos livros e expõe as várias profissões que os autores têm relacionadas com a literatura, sobre as quais já falámos em aula.

Filipa Fonseca Silva expõe duas razões principais para que isto aconteça. A primeira sendo que em Portugal não se vendem assim tantos livros de autoria portuguesa. “Nós ainda vivemos naquele […] meio provinciano de que o que vem lá de fora é que é bom, e o New York Times best seller é que é bom”, diz a escritora.

A segunda razão é porque “os autores só recebem 10%, mais ou menos, do preço que vocês, leitores, pagam”. Mostra um livro da editora Língua Mátria onde a percentagem da distribuição do preço do livro está descrita, e admite nunca ter visto este tipo de transparência. “60% do que vocês pagam por um livro vai para a distribuição comercial, vi também para a livraria. Depois, 13%é a produção gráfica, portanto, a impressão do livro. […] 10%: direitos autorais. 7% da produção editorial, significa também a revisão, a capa, a paginação. 6% é IVA, e 4% é que fica na editora. A editora, que é quem aposta no autor, acaba por ganhar apenas 4%, e o autor que é quem faz o livro, quem escreve a história, quem torna possível tudo isto— 10%. Ou seja, os dois juntos […] recebem nem 15% do preço que vocês pagam por um livro.”

Achei que seria um tema interessante para partilhar. Deixo em baixo o link do vídeo para quem utiliza o TikTok. A autora tem outros vídeos onde fala sobre assuntos literários e sobre a indústria editorial. 

https://vm.tiktok.com/ZGdavfUw4/


Maria Inês Alves

Sumário da Aula 26/11/2025

1. Acróstico:

Simplicidade;

Economia;

Rigor (não é pôr gravata, é tentar não ser desleixado).


2. Coerente x Adequado:

- A capa deve ser adequada ao miolo;

- O miolo deve ser coerente nos seus critérios;

- A única exigência que há num texto é que ele seja coerente.


3. A grande arte está no pequeno desvio:

- A pontuação é o elemento mais pequeno que há num texto e é aquele que pode fazer a maior diferença: o tom, o sentido, o ritmo de uma frase alteram conforme as pausas que lhe atribuímos por meio dos vários sinais de pontuação (!; ?; !!!; .; …).


4. Do uso errado à aceitação de uma nova norma: 

- O Word, por estar programado conforme as regras do inglês, faz a translineação de palavras compostas e verbos pronominais defeituosamente, não repetindo o hífen na linha seguinte (ex.: espalha-/se em vez de espalha -/-se). A conformação com este erro de formatação tem vindo a torná-lo cada vez mais comum.


4. Os capítulos em Saramago:

- O espaço em branco também pode ser uma forma de indicar um capítulo.

- Nas edições de Saramago não vemos capítulos numerados nem intitulados, são apenas marcados por espaços em branco na margem superior da primeira página de cada capítulo. Mas Saramago, muito provavelmente, ao escrevê-los, numerou-os e intitulou-os ─ serviu-se de algum método que o orientasse e organizasse a sua escrita.

- Contraste com as edições de Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, em que os capítulos são numerados e seguidos de um resumo.


5. Os espaços em branco na composição do livro:

- As decisões do paginador relativamente à conceção física do miolo alteram o modo de leitura, a apresentação visual de como o texto se quer dar a ler.

 - O tamanho das letras deve ser maior ou menor? E o espaçamento? Os capítulos devem iniciar todos em página ímpar?

- O exemplo do livro Tudo Sobre Deus, de Agualusa: Folheando o livro, dá-se conta de várias páginas em branco. Quando um capítulo não termina em página par, segue-se uma página em branco para o próximo começar em página ímpar. É uma decisão desnecessária e pouco económica, mas comum em obras de menor extensão (ideia de que o número de páginas de uma obra é determinante para o seu prestígio).


6. A prioridade num poema e em outros textos literários não é comunicar:

- É trespassar a criatividade, o ritmo, a linguagem;

- Tem de ser claro para mim o quão pouco claro quero ser para o leitor. Na cabeça do autor e editor há uma coerência, mesmo que o leitor tenha dificuldade em encontrá-la.


7. Ninharias:

- Raymond Carver vs. Gordon Lish: A intervenção de Lish no final do conto de Carver é radical ─ elimina grande parte do texto, tornando o final impactante e enigmático. Foi uma decisão criativa que potenciou o conto do autor, um trabalho de edição bem feito. Mas Lish quebrou totalmente a ética do editor ao querer ficar com os louros após a morte de Carver. Uma vez concluído o seu trabalho, o editor deve retirar-se ─ faz parte do código de honra de um bom editor;

- Análise de más decisões editoriais e falhas de revisão em jornais;

- Cartoon: Um avião sobrevoa um náufrago a pedir ajuda, mas os pilotos entendem que se trata apenas de um homem simpático a cumprimentá-los com um aceno ─ a chave está na comunicação, devemos ser claros na mensagem que passamos. Caso contrário, não nos entenderão;

- Fotografia de uma manifestação contra a "ditadura sanitária" em que os manifestantes, não reparando no erro ortográfico, usam camisolas com a estampa "Não há ditadura sanitária", alterando completamente o significado da mensagem que queriam passar;

- A Vanity Press ─ para estas Editoras o único cliente é o autor, pelo que obtêm lucro através da prestação de serviços a quem deseja publicar um livro e não necessariamente pela venda de livros ao público. É uma área do mercado editorial que ainda é mal vista por muitos, uma vez que o editor deixa de ter o papel de mediador entre autor e leitor, interessando-lhe apenas uma das partes ─ a que lhe paga. Este tipo de Editoras tende a oferecer promessas irrealistas; a qualidade na produção dos livros é frequentemente questionável e, não sendo seletivas quanto aos títulos que publica, não promove prestígio no seu catálogo;

○ Exemplos de Vanity Press em Portugal: Chiado BooksOficina da Escrita.

8. Chave de ouro: O dever de qualquer empresa é fazer lucro:

- Uma Editora é uma empresa que precisa de se reger de forma a obter lucro, tal como qualquer outra;

- No mundo editorial, um livro passa a ser um sucesso a partir do momento em que o número de vendas ultrapassa o dinheiro investido nele;

- Por vezes, a única forma de escapar à falência é vendendo a Editora a uma das grandes, transformando-se numa chancela.


10. Folhas de teste:

- Não é obrigatório usar folha de teste na frequência da próxima semana, mas o seu uso é recomendado pelo professor.



quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Exercício de contracapa


 

Without Books We Will Be Barbarians

 

Achei este artigo interessante pois, para além de falar da queda da leitura e dos livros, sublinha que o estamos a fazer voluntariamente, e não como Ray Bradbury pensou que aconteceria em Fahrenheit 451 (forçosamente).

Também achei curioso que o consumo de audiolivros esteja a aumentar, embora não seja surpreendente, pois o “encurtamento” do tempo que se faz sentir leva a uma sobreposição de tarefas e consumos (e disto também sou culpada, lavo a louça a “ver” séries e trabalho a ouvir podcasts).


Contudo, o que Bradbury (e não só) escreveu mantém-se fiel ao afirmar que uma sociedade que não lê e que não formula pensamento crítico está mais suscetível a ser manipulada.


Deixo aqui o link para quem quiser ler.


https://www.thefp.com/p/niall-ferguson-without-books-we-will-be-barbarians?r=5dj1m5&utm_source=google&utm_medium=paid-search&utm_campaign=dsa&utm_adgroup=all&utm_term=&utm_matchtype=&gad_source=1&gad_campaignid=22457634466&gbraid=0AAAAApHxamG7FxBDr5ON--Bp7-dj7BnxV&gclid=CjwKCAiA55rJBhByEiwAFkY1QHkmVfUYmNIcjJzPuUbZOZYdp5gD3BN4uxD9HbAy4ZqXCHAu9vs1aBoCsL4QAvD_BwE

terça-feira, 25 de novembro de 2025

sábado, 22 de novembro de 2025

Lançamento do Livro O Silêncio da Minha Cor, de Inês Ramos

 


    Hoje tive a oportunidade de assistir ao lançamento do novo livro de uma pessoa que me é muito querida e que, curiosamente, surgiu na minha vida entre as prateleiras de uma biblioteca municipal. 

    Esteve longe de ser um lançamento pomposo de uma editora de renome, com convidados especiais ou membros de imprensa. Foi um lançamento simples, caseiro, num espaço comercial convertido em open space para eventos e festas de aniversário na vila (demasiado) pequena onde vivemos.

    No lugar de especialistas, os apresentadores do livro foram os seus melhores amigos. No lugar do seu editor ou de outra pessoa importante a quem lhe conviesse elogiar, os agradecimentos foram para a sua antiga professora de português e para a amiga que escreveu (sem que ela soubesse) o primeiro comentário a uma obra sua na Wook.

    As probabilidades de ouvirem falar deste livro, ou se cruzarem sequer com ele, para lá desta entrada no blog, são mínimas. Bastou-me, aliás, um folhear rápido pelas páginas do livro para notar pequenos erros de paginação e revisão que o olho que vamos treinando apanha com perspicácia.

    Mas acho bonito o ato com que a Inês escreve sem grandes ambições, sem ter como objetivo tornar-se um sucesso de livrarias (embora, lá no fundo, qualquer autor publicado tenha essa fantasia). A Inês escreve para si e para os seus, simplesmente porque gosta de escrever e de ver as suas ideias ganharem forma. Publica para partilhar com os outros até onde lhe for possível. E isso, para ela, basta. 

    Nos dias que correm, habituamo-nos a sonhar tudo com a ganância de atingir grandes fins. Contenta-me saber que existem estas pessoas que o fazem, e persistem em fazê-lo, pelo puro prazer da escrita. Mas isto penso eu, que romantizo demasiado a vida.






terça-feira, 18 de novembro de 2025

Exercício de contracapa

     Deixo aqui a minha proposta de contracapa do livro Glamorama de Bret Easton Ellis. O livro foi publicado em Portugal um ano após ter saído o original, pela editora Teorema. Apesar de ainda não saber muito bem como funcionam os direitos e/ou licenças para as capas dos livros, se eu reeditasse a obra (e precisava, encontrei algumas gralhas) gostava que a capa fosse igual à da primeira edição publicada pela Alfred A. Knopf. Desde que o li que desejo ter esta edição específica pelo design (e no geral toda a composição do livro), porém nunca tinha visto quem é que o fez. Descobri que, ironicamente, o design é do Chip Kidd. 

    Para o caso de não ser muito perceptível, o dust jacket ou sobrecapa tem vários buracos por onde conseguimos ver a cara de diversas celebridades icónicas da altura (que estão na capa). E, para referência, a contracapa desta edição consiste apenas de críticas ao autor e ao seu último livro publicado até este. Mostro, assim, o que eu faria de diferente. 




Bárbara Faria.



segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Los demasiados libros, Gabriel Zaid (VERSÃO ATUALIZADA)



Los demasiados libros (1972-2022) de Gabriel Zaid

Los demasiados libros é um ensaio no qual Gabriel Zaid analisa a relação entre livros, leitores e a indústria editorial. Apesar de ter sido publicado originalmente em 1972, continua extremamente atual, por isso ganhou esta edição comemorativa 50 anos depois.

1. O mundo está cheio de livros, e isso é um problema. Publicam-se mais livros do que qualquer pessoa pode acompanhar. O problema não é que existam livros demais, mas sim:

  • não há leitores suficientes para absorver tudo;

  • cresce o número de publicações motivadas pelo ego (“grafomania universal”) e não pela necessidade de comunicar algo real;

  • o excesso gera ruído, tornando mais difícil encontrar livros realmente valiosos.


Ele mostra como o número de livros cresce mais rápido do que:

  • a população,

  • o tempo disponível para ler,

  • o interesse real das pessoas.


2. O mito do “dever ler”. Zaid critica a tendência de transformar a leitura em obrigação moral. Ele argumenta que:


  • ninguém tem o dever de ler tudo que se publica;

  • a leitura é uma atividade de liberdade e impor leituras mata o prazer;

  • a obsessão por “estar atualizado” com todos os lançamentos é absurda.


Ele prefere uma relação íntima, natural e prazerosa com os livros.


 3. A indústria editorial como máquina de produzir demais. Aqui ele analisa “por dentro” o mercado editorial:


  • editoras precisam lançar novidades constantes para manter visibilidade;

  • muitos livros são impressos para cumprir metas, não porque são necessários;

  • há desperdício económico e cultural;

  • a inflação editorial cria um mercado onde bons livros se perdem.


Zaid mostra que o problema não são os livros, é o sistema que premia quantidade, não qualidade. 


4. Leitores: poucos, dispersos e preciosos. Um dos pontos fortes do ensaio é o lugar que Zaid dá ao leitor:


  • cada leitor é único;

  • o que importa não são “massas leitoras”, mas micro encontros entre pessoa certa e livro certo;

  • livros com pouca tiragem podem ser tão importantes quanto best-sellers.


Ele defende que o valor de um livro não está nas suas vendas, mas no impacto profundo que pode ter em alguém.


 5. Bibliotecas: a solução mais eficiente. Zaid vê bibliotecas como um equipamento fundamental da vida civilizada:

  • permitem acesso a livros que poucos poderiam comprar;

  • preservam títulos antigos — e muitos livros só fazem sentido no longo prazo, não no mercado imediato;

  • são centros de circulação de conhecimento.


Para ele, bibliotecas são um antídoto perfeito contra o excesso de livros e a lógica de mercado.

 6. O custo real da leitura. Ele introduz uma ideia muito poderosa, o maior custo de um livro não é o preço de capa, mas sim o tempo do leitor. Isso muda tudo:

  • mesmo livros gratuitos são “caros” se não valem o tempo investido;

  • a saturação de lançamentos rouba tempo de leitura de obras mais importantes;

  • ler exige escolhas constantes.

Zaid defende que devemos ler menos, mas melhor.

7. Propostas de reforma do sistema editorial. Zaid não apenas critica, ele propõe soluções práticas:

  • um sistema de preço único (como existe na França) para proteger livrarias pequenas;

  • incentivar reedições de títulos clássicos e importantes, em vez de apostar só em novidades;

  • catálogos mais bem organizados;

  • melhora na distribuição;

  • diminuir a cultura da “novidade por novidade”.


Ele acredita num ecossistema editorial mais saudável, mais diversificado e menos caótico.


 8. Os textos adicionais da edição 1972-2022. A edição comemorativa traz três textos novos, onde Zaid:


  • reafirma que o problema dos “livros demais” se intensificou com a internet;

  • fala sobre a auto publicação digital e a avalanche de informação;

  • comenta a continuidade, e crescimento, da grafomania contemporânea.


Os textos atualizam o ensaio para o século XXI de forma eficaz.



 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Evento: "O trabalho de uma Assistente Editorial - À conversa com Inês Rôlo Martins"

Boa tarde,

Encontrei este evento na página do Instagram da @oficinaqml e achei interessante partilhar com vocês, ainda mais por ser via Zoom. Ele carece de inscrição, por isso, se estiverem interessados, preencham o Google Forms. 

Fica aqui o link da publicação:

https://www.instagram.com/p/DQytJ_UjDQW/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== 



quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Como construir um «facto político» (perdão, literário)

 «A nova J. K. Rowling», diziam. Ler aqui uma história já com barbas (2013). Mas continua a fazer-se. A jornalista reproduz a publicidade e, ao fazê-lo, faz publicidade. 

What people read around the world (2022)

 


https://studyinginswitzerland.com/what-people-read-around-the-world/


Listas com os livros mais vendidos em Portugal 2025

 https://www.planetadelivros.pt/livros-mas-vendidos


https://www.portaldaliteratura.com/top10.php?pais=portugal



https://www.accio.com/business/pt/livros-mais-vendidos-em-portugal



https://almadoslivros.pt/collections/bestsellers?cmp_id=22138227332&adg_id=&kwd=&device=m&utm_term=&utm_campaign=&utm_source=adwords&utm_medium=ppc&hsa_acc=6565633201&hsa_cam=22138227332&hsa_grp=&hsa_ad=&hsa_src=x&hsa_tgt=&hsa_kw=&hsa_mt=&hsa_net=adwords&hsa_ver=3&gad_source=1&gad_campaignid=22131900840&gbraid=0AAAAAC7hdMp-dhiNldFsgt7xYggSfnId-&gclid=CjwKCAiAoNbIBhB5EiwAZFbYGGPYqtIpUrzAYCMLNAMJBvrlo3SuOY4Uqe42BgLwF9WIwag8jte10xoCZwMQAvD_BwE



Diferentes marcas de revisão

 





terça-feira, 11 de novembro de 2025

Evento

 

 
 
Mais um evento que, desta vez, decorrerá na nossa faculdade. Para os interessados! 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Apresentação de livro

 

Apresentação do livro Natália Correia – Entre o Riso e a Paixão, mencionado na última aula. 

Alguns de nós terão aula, mas fica aqui para quem tiver interesse e disponibilidade.

 

 

Alexandra Gutu
 

Pompa e lançamento

 Pedro Abrunhosa 



terça-feira, 4 de novembro de 2025

Tradução de Late Fragment

Boa noite pessoal, tentei manter a métrica no poema em vez de fazer uma tradução direta.

Late Fragment

And did you get what
you wanted from this life, even so?
I did.
And what did you want?
To call myself beloved, to feel myself
beloved on the earth.


Fragmento Final

E conseguiste
o que querias desta vida?
Talvez.
E era o quê?
Chamar-me de amada, sentir-me
amada na terra.
 
Érica Aleixo 

Primeiro encontro de Literatura colombiana em Portugal

Já amanhã dia 5 e dia 6 de novembro terá lugar o Primeiro encontro de Literatura Colombiana na FLUL. É uma oportunidade para conhecerem autoras colombianas como Laura Restrepo, que vem lançar o seu novo livro, com moderação de Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago. Alguns dos eventos como esse não coincidem com o horário das aulas e a entrada é livre. 


Aqui o link com mais informação sobre o evento 

https://oei.int/oficinas/%25oficina%25/eventos/1o-encontro-de-literatura-colombiana/

Relatório sobre o lançamento de um livro - Katabasis

    No início do mês de setembro, fui ao lançamento em Portugal do livro Katabasis da autora R. F. Kuang. Para quem não sabe quem é a autora, ou do que se trata o trabalho dela, a Rebecca Kuang é uma autora americana com descendência chinesa que iniciou a sua carreira a escrever livros de fantasia, os mais conhecidos sendo a sua trilogia d'A Guerra das Papoilas. O único motivo de ter mencionado que a autora tem descendência chinesa foi devido à mesma retratar a sua cultura nos seus livros. Para além da sua cultura, também costuma falar sobre temas académicos, como nos seus livros Babel e o novo Katabasis.

    Estando a seguir a autora nas redes sociais e uma das editoras portuguesas que ia lançar a tradução, Desrotina Editora do Grupo Infinito Particular, já tinha conhecimento da visita da mesma ao nosso país desde março. A ansiedade era palpável, especialmente por não ter conseguido conhecer a autora no ano anterior quando visitou pela primeira vez o país. Não sendo alguém dentro do espectro de sociável, achei que ia ser uma missão impossível enfiar-me no meio de tantas pessoas desconhecidas, que só partilhavam um interesse comum, livros. No entanto, não me dei por vencida, dentro do meu pequeno grupo de amigos implorei que alguma alma gentil me fizesse companhia, e felizmente uma delas aceitou, mesmo não tendo interesse pelo assunto.

    Chegando o dia de me deslocar para o local onde a autora ia falar sobre o seu novo livro e assinar alguns dos exemplares aos leitores, estes exemplares podiam ser qualquer um dos seus trabalhos, senti-me ainda mais ansiosa, então apareci 3 horas antes. O primeiro problema surgiu logo à chegada, o local não era nada mais, nada menos do que a Fnac do Colombo, imaginariam dado o grande volume de pessoas que iam comparecer que um auditório seria a melhor solução para enfiar tantas pessoas, mas não. Caso nunca tenham visitado esta Fnac em específico, a zona onde os autores, ou outras pessoas que venham dar alguma palestra, são colocados é numa pequena sala no meio da Fnac, ou seja, quem já tivesse conseguido lugar nessa pequena sala, podia sentar-se, os restantes tinham de fazer fila, a qual a certa altura já estava fora do Colombo num dia de sol e calor.

    Não me desanimei, entrei na fila com a minha companhia e começámos a nossa espera. Ficámos mais ao menos a 30 pessoas da entrada da Fnac então pensámos "nada mau", infelizmente as outras 200 pessoas que vieram depois de nós não tiveram tanta sorte, pois tiveram de ficar na rua. Ao longo das seguintes horas assumi que os assistentes/operadores da Fnac iam estar a espalhar colunas pela fila para todos terem oportunidade de ouvir a autora a falar sobre o novo livro e perguntas que fossem surgir ao longo da hora de conversa. Isso não aconteceu, na verdade as pessoas que estavam a ver a autora a falar mal conseguiam ouvir o microfone da mesma (relatos que foram contados ao longo da fila por amigos de amigos, chegou a um ponto que parecia o jogo do telefone), escusado será dizer que este lançamento e entrevista foram muito mal planeados.

    A parte que estava mais ansiosa, que era a de estar ao pé de tantas pessoas desconhecidas, tornou-se a menos. As pessoas que me rodiavam não paravam de fazer comentários sarcásticos e piadas sobre a situação em que estávamos, que a dada altura já estávamos a falar uns com os outros. Quando chegou a altura de conhecer a autora já não me sentia ansiosa e até consegui trocar algumas palavras com ela. Quanto ao que foi dito durante a palestra, tive de depois chegar a casa e ver online o que foi dito e perguntado, senão até hoje não iria saber.

    Agora perguntam-me, o que achas-te desta experiência? E honestamente não gostei dela, foi mal organizada, e quem realmente compareceu para ouvir a autora a falar sobre o novo livro e não pelas assinaturas, certamente irá concordar comigo, acabou por ser um desperdício de tempo. Gostei de ter conhecido a autora pessoalmente, mas preferia ter ouvido a sua experiência de escrever este novo livro durante 1 hora do que ficar numa fila 3 horas só por uma assinatura.

    No entanto, eu sei que as experiências não são as mesmas para todos, então gostava de saber se alguém já foi a um lançamento de um livro e que tenha gostado. Deixo anexado a assinatura que a autora deixou no meu exemplar de Babel, que valeu 3 horas da minha vida. 

 

Érica Aleixo 

 



Exercício 15: história triste em três palavras

  —  Agora só amanhã.