I. Valores/Princípios
Simplicidade
Economia
Rigor
(Clareza)
II. Coerente vs. Adequado
Regra: coerência interna, adequação externa.
A capa deve ser adequada ao miolo.
Coerência no alinhamento, tipo
de letra, tamanho, paginação.
Escolher uma variante e mantê-la até ao fim.
Algumas formas de fazer uma bibliografia (disposição dos elementos):
1. AUTOR, título em itálico ou sublinhado, local: editora,
data
2. Autor, (…)
3. AUTOR (data)
III. Pontuação
A pontuação, sendo o elemento mais pequeno do texto, consegue ser muito económica. No entanto, a sua importância é inconfundível, sendo ela que assinala o ritmo do texto.
Pontuação (pausas): . ; , ! !!! ? – ( )
Pausas invisíveis: parágrafo/ironia/verso
IV. Tipos de revisão
1. Ler o texto à procura de gralhas.
2. Ler o texto à procura de incoerências gerais no padrão
da leitura.
3. Rever como está feita a hifenização (verificar se há
palavras mal partidas).
O Word, por estar programado com a norma
inglesa, cria um problema no português. Quando existem pronomes reflexos e é preciso
mudar de linha, muitas vezes não há a repetição do hífen na linha seguinte.
Exemplo do correto:
Espalha-se / Espalha-
- se
V. Saramago
Em Saramago, os capítulos são determinados pelo espaço
em branco existente no início (margem superior da página). Todos os capítulos seguem este efeito visual.
Espaço em branco no início (coerente) vs. espaço em branco no final
(aleatório, depende de onde cada capítulo vai terminar).
O texto tem de ter uma ordem, uma estrutura. Construir
um livro é como construir um edifício, existe a presença de pilares.
Em Saramago, os elementos para cada capítulo (nome, numeração, etc) estiveram lá, foram retirados posteriormente. Milagre do texto longo: o trabalho final estético apaga toda a construção, por
ser tão bem editado parece que foi escrito num só fôlego.
VI. Paginação (Teoria vs. Realidade)
Geralmente um capítulo
começa numa página ímpar (página da abertura).
No
entanto, pode quebrar-se a regra quando o livro tem capítulos curtos, para que
não haja muitas folhas em branco e pouco conteúdo. Quando o livro é muito grande ou os capítulos são muito
curtos, começam-se os capítulos também na página par.
Paginar é uma arte
difícil, o paginador tem de fazer um esforço para arrumar o texto, de forma económica, clara, estética e mais barata - livro como objeto comercial.
Regra simples: quando há muito texto temos de tentar encurtar, com pouco texto temos de insuflar.
Exemplo: um livro de 800 páginas tem de encolher, um livro de 100 páginas tem de esticar.
VII. Ninharias
1. Conto de Raymond Carver editado por
Gordon Lish: O editor Gordon Lish, de forma
criativa, elimina grande parte do texto, tornando o final mais misterioso e ambíguo.
Geralmente uma boa edição torna o texto mais breve. Quando o texto está em bruto, está cheio de redundâncias – encontra-se ainda mal
pensado.
2. Diferença entre Há/À:
Manifestantes contra a “ditadura sanitária”, usam
camisolas com um erro ortográfico: “Não há ditadura sanitária”, quando devia ser: “Não
à ditadura sanitária”, ou seja, dando o significado oposto
àquilo que queriam reivindicar.
3. Tradução automática de uma sinopse do filme
Fora de Controlo:
Evidences
– traduzido como “evidências”, quando na realidade devia ser traduzido como “provas”.
4. Ementa de restaurante com erros:
“Bifana no parto” e “Hambúrguer no parto”
5. Traduzir as milhas para quilómetros (demasiada precisão, contraste absurdo
com a cena do filme): “Perseguiram-nos 16km, disparando uma chuva de flechas”
6. Cartoon:
Homem numa ilha deserta a gesticular (a querer pedir socorro), enquanto passa
um avião. No entanto, os pilotos interpretam os gestos como se ele estivesse a cumprimentá-los com um aceno – falha de comunicação, a mensagem que queremos passar deve ser clara.
VIII. Conversa sobre o mundo editorial
A aula termina com uma conversa sobre o mundo editorial,
juntamente com a projeção de uma imagem, onde um livro está a ser usado como
máscara, e com a frase seguinte: Usemos un libro para protegernos de la ignorancia.
Quantos livros têm de ser vendidos até a edição
estar paga?
Sucesso: vender os livros suficientes para pagar a
produção, mais um exemplar para dar uma pequena margem de lucro e cobrir o gasto.
O dever de qualquer empresa é dar lucro.