1.Tudo são empresas. Umas são funcionais e outras infelizes, como as famílias.
As livrarias , portanto, não escapam a essa lógica e como toda empresa tem como objetivo o lucro. Como consequência há uma tendência a homogeneização. Por isso vale a pena visitar as livrarias independentes como a Poesía Incompleta, ou a Livraria Snob que resistem-se à perda da bibliodiversidade e à homogeneidade crescente.
Neste mesmo sentido existe a tendência entre os leitores portugueses de ler cada vez mais em inglês. Há sempre uma língua dominante e isso subalterniza as outras línguas, enquanto facilita a circulação dos livros na língua dominante.
O António Lobo Antunes que é o escritor português vivo mais importante apareceu completamente emocionado a participar no programa televisivo com o Anthony Bourdain (Road Runner na Netflix). Isto é submissão cultural.
2. Tríade da editora:
Toda editora precisa cumprir esta triada para subsistir:
Produzir bem
Promover bem
Vender bem
A parte mais nobre é produzir bem. Mas toda editora precisa vender bem para subsistir.
Uma editora disse sobre os livros da edição de vaidade que esses não são livros. Porque o autor vira cliente e o livro já não tem o toque do editor. Neste caso a editora ainda vende, mas não ao leitor mas sim ao autor.
3. Nunca olhem para a boca, olhem para a prática: o discurso contraditório no mundo editorial.
No mundo do livro o discurso é muito diferente da prática. Em geral os conhecidos ficam mais conhecidos e os ricos mais ricos. Mas nos eventos ninguém fala de dinheiro. Por exemplo os grandes editores que se queixam de que se publica muita porcaria, mas são estes mesmos que publicam essas porcarias, justificando-se com que dessa maneira acumulam dinheiro para depois publicar coisas boas, e entretanto a bibliodiversidade vai se perdendo.
O paradoxo desta área cultural é que só os ricos não se importam pelo dinheiro. Só os ricos têm editoras de esquerda. E no entanto há algumas editoras que não precisam de lucros, como a Imprensa nacional ou as editoras municipais.
Também está o exemplo da Não edições. O editor dá-se o luxo de escolher o que publica, mas também ele não subsiste a partir do seu trabalho editorial. Então a única forma de não ficar dependente do mercado é não precisar dele.
4. Pontuação: "Há vários escritores que fazem isso: param em todos os apeadeiros."
O grande leitor faz teatro (por dentro). Qualquer leitor é um actor cá dentro (Aponta para a cabeça).
Um verso é uma frase cortada no sitio errado.
Uma das formas de puntuar é colocar em verso.
A natureza da pontuação é que não há pontuação certa.
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