sábado, 18 de outubro de 2025

Sumário de 15/10/2025 (2)

A aula iniciou-se pela apresentação do artigo José Afonso Furtado, diretor da Biblioteca de Arte da Gulbenkian, foi considerado pela "Time" como autor de um dos 140 feeds mais interessantes do Twitter. o que com trouxe a reflexão acerca do preconceito do médium, presente naqueles que desdenham da rua (neste caso médiuns mais “comuns” como as redes sociais), considerando, consequentemente, que só aqueles que publicam em médiuns conceituados tem algo de importante para dizer. Contudo, contrariamente a este pensamento, encontram-se muitos autores e cronistas bastante conhecidos de hoje que começaram por escrever em tais plataformas, como os blogs. Deste modo é possível concluir-se que não é sempre o veículo através do qual se fala que dita a nobreza do que se tem para dizer, mas sim o que se diz

De seguida surgiu a temática da capa e contracapa de um livro, e do modo como no caso da primeira imagens muitas vezes falam por si e que por vezes o simples comunica melhor, como no caso da capa de O que se passa com Baum? de Woody Allen.

Por outro lado, deu-se o desenvolvimento do conceito de contracapa e as suas principais funções: 
  • ser eficaz
  • e de aumentar a curiosidade e de captar a atenção daquele que lê. 
É mencionado no sentido dos elogios da contracapa a legitimação que estes contribuem ao livro tendo em conta aqueles cujos nomes estão presentes, tanto seja o sítio, jornal, onde se escreve, ou o autor de tal "blurb".
Deu-se a finalização deste ponto com a exploração da necessidade do editor de dar importância e atenção máxima à capa, contracapa e primeiras páginas, como se deve ter quando se edita poesia, sendo que quanto menos palavras mais cuidado é necessário, pois apesar de errar ser humano e ser quase impossível que um texto de grande comprimento não tenha quaisquer falhas ou gralhas, é de extrema importância que tal não aconteça no começo da obra. As primeiras impressões têm um grande peso.


De seguida deu-se a exploração e análise do ponto 4 do programa “O jogo dos papeis” e dos seus sub pontos.


4.1 O editing pós e contras
Enquanto nos contra argumentos podemos identificar: 
  • tendência comercial para uniformizar os textos tendo em conta as tendências do mercado, nos casos em que o editor coloca o mercado em primeiro plano e o manuscrito original e o autor em segundo
  • e o lado negativo “da alegria de censurar”, ponto 4.4, no sentido não só em que por vezes o editor tem um prazer de exercer poder sobre o texto intervindo e censurando em demasia, como o do filho de Eça de Queiroz, como também se tem vindo a observar nos últimos tempos um movimento de “sensitivity reader” extremo de reedição dos textos passados em função do presente, algo que fortemente separa opiniões
Por outro lado, nos argumentos a favor observa-se:
  • importância do editor enquanto relativizador e conselheiro do autor, este ultimo que por vezes se encontra tão dentro do seu texto que não é capaz de ler-lhe as imperfeições, e deste modo funciona como segundo o termo inglês “editor”, podendo ser aquele que gere a produção do livro ou aquele que lê e contribui diretamente, e não “editor” em português, palavra usada para descrever funções distintas e por vezes contraditórias, de "editing" e "publishing"
  • a face positiva da moeda da censura (ponto 4.4) como um “sensitive reader” que contem um certo apetite censório para o que é possivelmente desnecessário.
4.2 Edição critica
Esta que significa mais a níveis académicos, e à qual se chega após diversas edições sendo considerada a versão mais aprimorada, a melhor, a com melhor som. Não é geralmente feita para um público comercial, contendo longos prefácio, posfácio e notas, e no qual se dá uma explicação do critério de estudo, sendo importante em situações como, por exemplo para manuscritos do séc IV e para poemas do Fernando Pessoa.

4.3 Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish
Casos do filho de Eça de Queirós, que numa espécie de prazer censório ultraviolento fez mudanças nos textos do pai após a morte deste, e do caso de Gordon Lish, que por sua vez interferiu intensamente na escrita de Raymond Carter, no sentido de questionar a ação do editor sobre o texto e o quanto este deve interferir. 

Dai surgiram as perguntas: Quem manda? Quem tem mais poder sobre o texto o autor ou o editor? Quem tem direito a interferir? 
No texto literário criativo quem tem preponderância deverá ser o autorO editor representa nestas situações:
  • apenas o papel de conselheiro e copiloto, deverá representar alguém de fora que vê o jogo melhor devido á sua competência teórica, e possivelmente prática, sendo frontal, franco e honesto, usando o seu engenho para o tornar o melhor possível
  • muitas vezes o advogado do leitor perante o autor, mas também é mais tarde o advogado do autor presente o leitor relutante. Enquanto em publicações periódicas o editor está acima do autor.





Catarina Caria

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