segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Los demasiados libros, Gabriel Zaid (VERSÃO ATUALIZADA)



Los demasiados libros (1972-2022) de Gabriel Zaid

Los demasiados libros é um ensaio no qual Gabriel Zaid analisa a relação entre livros, leitores e a indústria editorial. Apesar de ter sido publicado originalmente em 1972, continua extremamente atual, por isso ganhou esta edição comemorativa 50 anos depois.

1. O mundo está cheio de livros, e isso é um problema. Publicam-se mais livros do que qualquer pessoa pode acompanhar. O problema não é que existam livros demais, mas sim:

  • não há leitores suficientes para absorver tudo;

  • cresce o número de publicações motivadas pelo ego (“grafomania universal”) e não pela necessidade de comunicar algo real;

  • o excesso gera ruído, tornando mais difícil encontrar livros realmente valiosos.


Ele mostra como o número de livros cresce mais rápido do que:

  • a população,

  • o tempo disponível para ler,

  • o interesse real das pessoas.


2. O mito do “dever ler”. Zaid critica a tendência de transformar a leitura em obrigação moral. Ele argumenta que:


  • ninguém tem o dever de ler tudo que se publica;

  • a leitura é uma atividade de liberdade e impor leituras mata o prazer;

  • a obsessão por “estar atualizado” com todos os lançamentos é absurda.


Ele prefere uma relação íntima, natural e prazerosa com os livros.


 3. A indústria editorial como máquina de produzir demais. Aqui ele analisa “por dentro” o mercado editorial:


  • editoras precisam lançar novidades constantes para manter visibilidade;

  • muitos livros são impressos para cumprir metas, não porque são necessários;

  • há desperdício económico e cultural;

  • a inflação editorial cria um mercado onde bons livros se perdem.


Zaid mostra que o problema não são os livros, é o sistema que premia quantidade, não qualidade. 


4. Leitores: poucos, dispersos e preciosos. Um dos pontos fortes do ensaio é o lugar que Zaid dá ao leitor:


  • cada leitor é único;

  • o que importa não são “massas leitoras”, mas micro encontros entre pessoa certa e livro certo;

  • livros com pouca tiragem podem ser tão importantes quanto best-sellers.


Ele defende que o valor de um livro não está nas suas vendas, mas no impacto profundo que pode ter em alguém.


 5. Bibliotecas: a solução mais eficiente. Zaid vê bibliotecas como um equipamento fundamental da vida civilizada:

  • permitem acesso a livros que poucos poderiam comprar;

  • preservam títulos antigos — e muitos livros só fazem sentido no longo prazo, não no mercado imediato;

  • são centros de circulação de conhecimento.


Para ele, bibliotecas são um antídoto perfeito contra o excesso de livros e a lógica de mercado.

 6. O custo real da leitura. Ele introduz uma ideia muito poderosa, o maior custo de um livro não é o preço de capa, mas sim o tempo do leitor. Isso muda tudo:

  • mesmo livros gratuitos são “caros” se não valem o tempo investido;

  • a saturação de lançamentos rouba tempo de leitura de obras mais importantes;

  • ler exige escolhas constantes.

Zaid defende que devemos ler menos, mas melhor.

7. Propostas de reforma do sistema editorial. Zaid não apenas critica, ele propõe soluções práticas:

  • um sistema de preço único (como existe na França) para proteger livrarias pequenas;

  • incentivar reedições de títulos clássicos e importantes, em vez de apostar só em novidades;

  • catálogos mais bem organizados;

  • melhora na distribuição;

  • diminuir a cultura da “novidade por novidade”.


Ele acredita num ecossistema editorial mais saudável, mais diversificado e menos caótico.


 8. Os textos adicionais da edição 1972-2022. A edição comemorativa traz três textos novos, onde Zaid:


  • reafirma que o problema dos “livros demais” se intensificou com a internet;

  • fala sobre a auto publicação digital e a avalanche de informação;

  • comenta a continuidade, e crescimento, da grafomania contemporânea.


Os textos atualizam o ensaio para o século XXI de forma eficaz.



 

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