Los demasiados libros (1972-2022) de Gabriel Zaid
Los demasiados libros é um ensaio no qual Gabriel Zaid analisa a relação entre livros, leitores e a indústria editorial. Apesar de ter sido publicado originalmente em 1972, continua extremamente atual, por isso ganhou esta edição comemorativa 50 anos depois.
1. O mundo está cheio de livros, e isso é um problema. Publicam-se mais livros do que qualquer pessoa pode acompanhar. O problema não é que existam livros demais, mas sim:
não há leitores suficientes para absorver tudo;
cresce o número de publicações motivadas pelo ego (“grafomania universal”) e não pela necessidade de comunicar algo real;
o excesso gera ruído, tornando mais difícil encontrar livros realmente valiosos.
Ele mostra como o número de livros cresce mais rápido do que:
a população,
o tempo disponível para ler,
o interesse real das pessoas.
2. O mito do “dever ler”. Zaid critica a tendência de transformar a leitura em obrigação moral. Ele argumenta que:
ninguém tem o dever de ler tudo que se publica;
a leitura é uma atividade de liberdade e impor leituras mata o prazer;
a obsessão por “estar atualizado” com todos os lançamentos é absurda.
Ele prefere uma relação íntima, natural e prazerosa com os livros.
3. A indústria editorial como máquina de produzir demais. Aqui ele analisa “por dentro” o mercado editorial:
editoras precisam lançar novidades constantes para manter visibilidade;
muitos livros são impressos para cumprir metas, não porque são necessários;
há desperdício económico e cultural;
a inflação editorial cria um mercado onde bons livros se perdem.
Zaid mostra que o problema não são os livros, é o sistema que premia quantidade, não qualidade.
4. Leitores: poucos, dispersos e preciosos. Um dos pontos fortes do ensaio é o lugar que Zaid dá ao leitor:
cada leitor é único;
o que importa não são “massas leitoras”, mas micro encontros entre pessoa certa e livro certo;
livros com pouca tiragem podem ser tão importantes quanto best-sellers.
Ele defende que o valor de um livro não está nas suas vendas, mas no impacto profundo que pode ter em alguém.
5. Bibliotecas: a solução mais eficiente. Zaid vê bibliotecas como um equipamento fundamental da vida civilizada:
permitem acesso a livros que poucos poderiam comprar;
preservam títulos antigos — e muitos livros só fazem sentido no longo prazo, não no mercado imediato;
são centros de circulação de conhecimento.
Para ele, bibliotecas são um antídoto perfeito contra o excesso de livros e a lógica de mercado.
6. O custo real da leitura. Ele introduz uma ideia muito poderosa, o maior custo de um livro não é o preço de capa, mas sim o tempo do leitor. Isso muda tudo:
mesmo livros gratuitos são “caros” se não valem o tempo investido;
a saturação de lançamentos rouba tempo de leitura de obras mais importantes;
ler exige escolhas constantes.
Zaid defende que devemos ler menos, mas melhor.
7. Propostas de reforma do sistema editorial. Zaid não apenas critica, ele propõe soluções práticas:
um sistema de preço único (como existe na França) para proteger livrarias pequenas;
incentivar reedições de títulos clássicos e importantes, em vez de apostar só em novidades;
catálogos mais bem organizados;
melhora na distribuição;
diminuir a cultura da “novidade por novidade”.
Ele acredita num ecossistema editorial mais saudável, mais diversificado e menos caótico.
8. Os textos adicionais da edição 1972-2022. A edição comemorativa traz três textos novos, onde Zaid:
reafirma que o problema dos “livros demais” se intensificou com a internet;
fala sobre a auto publicação digital e a avalanche de informação;
comenta a continuidade, e crescimento, da grafomania contemporânea.
Os textos atualizam o ensaio para o século XXI de forma eficaz.

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