No início do mês de setembro, fui ao lançamento em Portugal do livro Katabasis da autora R. F. Kuang. Para quem não sabe quem é a autora, ou do que se trata o trabalho dela, a Rebecca Kuang é uma autora americana com descendência chinesa que iniciou a sua carreira a escrever livros de fantasia, os mais conhecidos sendo a sua trilogia d'A Guerra das Papoilas. O único motivo de ter mencionado que a autora tem descendência chinesa foi devido à mesma retratar a sua cultura nos seus livros. Para além da sua cultura, também costuma falar sobre temas académicos, como nos seus livros Babel e o novo Katabasis.
Estando a seguir a autora nas redes sociais e uma das editoras portuguesas que ia lançar a tradução, Desrotina Editora do Grupo Infinito Particular, já tinha conhecimento da visita da mesma ao nosso país desde março. A ansiedade era palpável, especialmente por não ter conseguido conhecer a autora no ano anterior quando visitou pela primeira vez o país. Não sendo alguém dentro do espectro de sociável, achei que ia ser uma missão impossível enfiar-me no meio de tantas pessoas desconhecidas, que só partilhavam um interesse comum, livros. No entanto, não me dei por vencida, dentro do meu pequeno grupo de amigos implorei que alguma alma gentil me fizesse companhia, e felizmente uma delas aceitou, mesmo não tendo interesse pelo assunto.
Chegando o dia de me deslocar para o local onde a autora ia falar sobre o seu novo livro e assinar alguns dos exemplares aos leitores, estes exemplares podiam ser qualquer um dos seus trabalhos, senti-me ainda mais ansiosa, então apareci 3 horas antes. O primeiro problema surgiu logo à chegada, o local não era nada mais, nada menos do que a Fnac do Colombo, imaginariam dado o grande volume de pessoas que iam comparecer que um auditório seria a melhor solução para enfiar tantas pessoas, mas não. Caso nunca tenham visitado esta Fnac em específico, a zona onde os autores, ou outras pessoas que venham dar alguma palestra, são colocados é numa pequena sala no meio da Fnac, ou seja, quem já tivesse conseguido lugar nessa pequena sala, podia sentar-se, os restantes tinham de fazer fila, a qual a certa altura já estava fora do Colombo num dia de sol e calor.
Não me desanimei, entrei na fila com a minha companhia e começámos a nossa espera. Ficámos mais ao menos a 30 pessoas da entrada da Fnac então pensámos "nada mau", infelizmente as outras 200 pessoas que vieram depois de nós não tiveram tanta sorte, pois tiveram de ficar na rua. Ao longo das seguintes horas assumi que os assistentes/operadores da Fnac iam estar a espalhar colunas pela fila para todos terem oportunidade de ouvir a autora a falar sobre o novo livro e perguntas que fossem surgir ao longo da hora de conversa. Isso não aconteceu, na verdade as pessoas que estavam a ver a autora a falar mal conseguiam ouvir o microfone da mesma (relatos que foram contados ao longo da fila por amigos de amigos, chegou a um ponto que parecia o jogo do telefone), escusado será dizer que este lançamento e entrevista foram muito mal planeados.
A parte que estava mais ansiosa, que era a de estar ao pé de tantas pessoas desconhecidas, tornou-se a menos. As pessoas que me rodiavam não paravam de fazer comentários sarcásticos e piadas sobre a situação em que estávamos, que a dada altura já estávamos a falar uns com os outros. Quando chegou a altura de conhecer a autora já não me sentia ansiosa e até consegui trocar algumas palavras com ela. Quanto ao que foi dito durante a palestra, tive de depois chegar a casa e ver online o que foi dito e perguntado, senão até hoje não iria saber.
Agora perguntam-me, o que achas-te desta experiência? E honestamente não gostei dela, foi mal organizada, e quem realmente compareceu para ouvir a autora a falar sobre o novo livro e não pelas assinaturas, certamente irá concordar comigo, acabou por ser um desperdício de tempo. Gostei de ter conhecido a autora pessoalmente, mas preferia ter ouvido a sua experiência de escrever este novo livro durante 1 hora do que ficar numa fila 3 horas só por uma assinatura.
No entanto, eu sei que as experiências não são as mesmas para todos, então gostava de saber se alguém já foi a um lançamento de um livro e que tenha gostado. Deixo anexado a assinatura que a autora deixou no meu exemplar de Babel, que valeu 3 horas da minha vida.
Érica Aleixo

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