Apocalipse encarnado - editado
Durante a partida de ontem, pelos play-offs de acesso aos oitavos da Champions League, entre o SL Benfica e o Real Madrid, ocorreu um alegado caso de racismo. O ocorrido envolveu os jogadores Vinicius Jr. e o argentino Prestianni. Logo após o apito final, aquilo que se esperava do clube encarnado — um posicionamento oficial — aconteceu, mas não da maneira mais «positiva».
O clube escolheu focar-se, nas palavras do técnico José Mourinho, na «dualidade de critérios» na arbitragem do jogo. O técnico português não se conteve, dirigindo críticas pesadas à equipa de arbitragem que o havia expulsado durante a partida.
No entanto, enquanto José Mourinho falava, houve uma falha técnica e o microfone deixou de funcionar. Ninguém ouviu o que tinha sido dito.
Enquanto isso, houve um grande alvoroço nas redes sociais sobre o caso.
Alberto, que está a fazer um detox digital e, por isso, passou o dia de ontem offline, não sabe ainda desta polémica.
Estando em casa, Alberto decide abrir uma janela e depara-se com um quadro apocalíptico: várias pessoas de camisolas encarnadas pegam fogo à cidade, provocando o caos total.
Ele decide que basta de livros de autoajuda e, de dedos trémulos, pensa se deve abrir primeiro o TikTok ou o Twitter, de forma a obter informações fiáveis sobre o que está a acontecer.
Ao optar pelas informações nas redes sociais, em vez de jornais ou fontes oficiais, vemos o quão perdida está esta nova geração. Alberto não se lembra, mas o detox virtual veio justamente porque estava completamente viciado em pornografia no Twitter.
Com o pico de adrenalina no sangue, Alberto pega na primeira t-shirt que vê e corre escadas abaixo até à rua. Esqueceu-se, porém, de reparar no que vestia: uma camisola do Real Madrid.
Todos os olhos se viraram para ele. Alberto pensou em voltar para casa, mas era tarde demais. Esqueceu-se das chaves e já estava rodeado por uma multidão de camisolas encarnadas.
Morando sozinho, a única solução era juntar-se à multidão e documentar tudo pelas redes sociais. Lá se foi o detox virtual!
Mas, antes de sequer tirar o telemóvel do bolso, Alberto estava morto.
No funeral de Alberto decidiram deixá-lo vestido com a camisola do Real Madrid. O que se sucedeu foi um desastre.
Um homem, que ouvira o caso pelas notícias, decidiu interromper o funeral, abanando furiosamente uma t-shirt do Benfica na mão.
Infelizmente, aquilo que seria apenas mais um dia de jogo terminou em tragédia geral na capital lisboeta.
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