terça-feira, 24 de março de 2026

Exercício 13


Falemos um pouco, então, sobre capas, contracapas e badanas. Trago-vos estes livros.

 
Este primeiro Luanda Lisboa Paraíso, Companhia das Letras contém na capa uma ilustração original de Suza Monteiro (tem perfil de Instagram, caso tenham interesse: https://www.instagram.com/susamonteiro/). A capa é, para mim, belíssima e, neste caso, ilustra de certo modo uma personagem da obra. As cores são lindas e com uma boa organização do título da obra e da autora na página. Já a contracapa, a meu ver, perde alguns pontos. Tem imenso texto e repete o título da obra. Tem a sinopse, uma citação e informações acerca da editora. Proposta: retirar o título, deixar a sinopse tal e qual, mas escolher uma citação menos extensa, pois cria um certo peso visual. A divisão por duas cores com a risca branca no meio a meu ver também está ótima, com o logótipo da chancela no centro. Na badana há críticas referentes a uma outra obra da autora, criando um potencial interesse no leitor, isto se o leitor se tiver dado ao trabalho de abrir o livro em loja.
 
De seguida, uma edição da Livros do Brasil, pertencente ao grupo Porto Editora, neste caso um livro de John Steinbeck à espera de ser lido (perdoem-me). A minha relação com as capas desta editora é de um certo amor-desgosto (nunca ódio), porque, por vezes, o método repetitivo torna-se cansativo (devem com certeza estar a poupar no departamento de design). Contudo, com o passar dos anos, e talvez pela escolha de cores que ultimamente tenho visto a ser utilizada pela editora, esse desgosto tem vindo a diminuir. Porém, tendo em conta os clássicos que muitas vezes publicam, gostaria de ver uma capa um pouco mais original e não tão simples. No exemplo que trago temos o seguinte: uma cor bonita, uma espécie de verde-musgo, mas, por outro lado, temos um texto de contracapa a preto que é dificilmente compreensível e legível devido à cor da capa.

Por outro lado, poderiam dizer: “As famosas capas da Penguin Classics também são de certo modo repetitivas.” E eu diria: com certeza, porém, trazem algo de refrescante ao combinar literatura e arte visual. Por exemplo, a Relógio D’Água também emprega este modelo nos clássicos que publica, combinando a obra com uma pintura que a represente de algum modo.

 

 
Uma editora que elogio muito pela lealdade ao design que todos conhecemos: a Tinta da China. Neste caso, a capa emprega elementos referentes ao autor, neste caso heterónimo de Fernando Pessoa, tendo, também, uma contracapa simples onde constam uns versos, uma biografia e explicação dos conteúdos da edição. Talvez a cor da capa não seja a melhor, contudo oferece destaque ao texto. 


 

Por último, Alfaguara, chancela da Penguin Random House. Uma edição de Se Esta Rua Falasse de James Baldwin, cuja capa reutiliza (ou recicla, se preferirem) a fotografia da capa original da edição da Vintage International (creio ser uma chancela do grupo Penguin do Canadá). A fotografia ilustra bem a obra que apresenta, e a organização do texto da capa também está ótima (modelo corrente da Alfaguara). A contracapa parece-me um pouco cheia, acaba por ficar com menos espaço para organizar o texto devido à risca preta, no entanto não tenho sugestão de alteração. Aprecio a crítica de Toni Morrison e considero, de certo modo, necessária.

Em suma, tenho de dizer que temos, em Portugal, imensas opções e capas interessantíssimas e diversas. 

 

Alexandra Gutu 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Exercício 15: história triste em três palavras

  —  Agora só amanhã.