Falemos um pouco, então, sobre capas, contracapas e
badanas. Trago-vos estes livros.
Este primeiro Luanda Lisboa Paraíso, Companhia das Letras contém na capa
uma ilustração original de Suza Monteiro (tem perfil de Instagram, caso tenham
interesse: https://www.instagram.com/susamonteiro/).
A capa é, para mim, belíssima e, neste caso, ilustra de certo modo uma
personagem da obra. As cores são lindas e com uma boa organização do título da
obra e da autora na página. Já a contracapa, a meu ver, perde alguns pontos.
Tem imenso texto e repete o título da obra. Tem a sinopse, uma citação e informações
acerca da editora. Proposta: retirar o título, deixar a sinopse tal e qual, mas
escolher uma citação menos extensa, pois cria um certo peso visual. A divisão
por duas cores com a risca branca no meio a meu ver também está ótima, com o logótipo
da chancela no centro. Na badana há críticas referentes a uma outra obra da
autora, criando um potencial interesse no leitor, isto se o leitor se tiver
dado ao trabalho de abrir o livro em loja.De seguida, uma edição da Livros do Brasil,
pertencente ao grupo Porto Editora, neste caso um livro de John Steinbeck à
espera de ser lido (perdoem-me). A minha relação com as capas desta editora é
de um certo amor-desgosto (nunca ódio), porque, por vezes, o método repetitivo
torna-se cansativo (devem com certeza estar a poupar no departamento de design).
Contudo, com o passar dos anos, e talvez pela escolha de cores que ultimamente
tenho visto a ser utilizada pela editora, esse desgosto tem vindo a diminuir.
Porém, tendo em conta os clássicos que muitas vezes publicam, gostaria de ver uma
capa um pouco mais original e não tão simples. No exemplo que trago temos o
seguinte: uma cor bonita, uma espécie de verde-musgo, mas, por outro lado, temos
um texto de contracapa a preto que é dificilmente compreensível e legível devido
à cor da capa.
Por outro lado, poderiam dizer: “As famosas capas da Penguin
Classics também são de certo modo repetitivas.” E eu diria: com certeza,
porém, trazem algo de refrescante ao combinar literatura e arte visual. Por
exemplo, a Relógio D’Água também emprega este modelo nos clássicos que publica,
combinando a obra com uma pintura que a represente de algum modo.
Uma editora que elogio muito pela lealdade ao design que todos conhecemos: a Tinta da China. Neste caso, a capa emprega elementos
referentes ao autor, neste caso heterónimo de Fernando Pessoa, tendo, também,
uma contracapa simples onde constam uns versos, uma biografia e explicação dos
conteúdos da edição. Talvez a cor da capa não seja a melhor, contudo oferece
destaque ao texto.

Por último, Alfaguara, chancela da Penguin Random
House. Uma edição de Se Esta Rua Falasse de James Baldwin, cuja capa reutiliza
(ou recicla, se preferirem) a fotografia da capa original da edição da Vintage
International (creio ser uma chancela do grupo Penguin do Canadá). A fotografia
ilustra bem a obra que apresenta, e a organização do texto da capa também está
ótima (modelo corrente da Alfaguara). A contracapa parece-me um pouco cheia,
acaba por ficar com menos espaço para organizar o texto devido à risca preta,
no entanto não tenho sugestão de alteração. Aprecio a crítica de Toni Morrison
e considero, de certo modo, necessária.
Em suma, tenho de dizer que temos, em Portugal, imensas
opções e capas interessantíssimas e diversas.
Alexandra Gutu
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