Diz o editor Hugo Xavier:
«Vi, e digo vi porque só li muito poucos, centenas de comentários à polémica Saramago-Carvalho. As pessoas estão a pensar demasiado sem perceberem a real motivação da coisa. Intriga-as o facto de o governo de Direita tomar uma opção que, afinal, não é contra a esquerda, perturba-as a natureza dos argumentos invocados e por aí adiante.
«Permitam-me explicar como isto funciona na realidade: há uns anos a Porto editora, o maior grupo editorial português, "roubou" Saramago ao segundo maior grupo editorial português, a Leya. Claro que a coisa não caiu bem e, como a Leya também tem vindo a perder a guerra do segmento do livro escolar (aquele que dá MUITO dinheiro) para a Porto, a coisa foi ainda pior. O que se passou agora foi uma vingança a frio. Alguém puxou uns cordelinhos e um Autor da Leya volta a ser possibilidade de leitura. E claro, os excertos das obras de Mário de Carvalho que passem a integrar os manuais escolares da Porto editora terão de ser pagos a peso de ouro, imagino... É mesmo só isto.
«Esqueçam argumentos políticos, facilidade ou dificuldade de entendimento para os alunos ou facilidade e dificuldade de ensinar para os professores, a qualidade literária intrínseca... As únicas coisas de que se pode falar sobre este assunto são dinheiro, maus-fígados e a volubilidade dos políticos.»
Sem comentários:
Enviar um comentário