1.1. A perspectiva do autor
Quem escreve, nada mais deseja do que ser compreendido. Esse é o objetivo dos poetas irrequietos, aqueles que nunca viajam sem o seu cadeino de bolso e o lápis mal afiado.
Ser autor é abrir a alma para o papel, deixar o encarnado do seu sangue criar mundos, mentes, paixões, perdas. Escrever é pingar para a folha e chamá-lo de arte. Talvez porque o é.
No entanto, quem deseja compreensão está propenso a ser visto, e quem é visto é, por vezes, quase sempre, julgado. Aqueles olhos curiosos por quem o autor tanto pediu compreensão, metamorfoseiam-se, trazem corpos com braços e mãos e dedos que apontam - acusadores. Eles esperavam mais, querem mais, ou não querem o autor de todo. Este, gelado, faminto por amor e aceitação, por uma cadeira com o seu nome, ouve o seu editor:
_ Temos que apelar ao público de hoje em dia!
Ser autor é permanecer nu, cru e desejar, mesmo assim, ser amado.
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