O trabalho de um editor diz respeito a duas coisas: à forma de uma obra, e à posição que virá a ocupar num determinado contexto de inter-subjetividade humana. Ao perguntar-se “um livro é um livro?”, a sua resposta poderá, portanto, centrar a forma de um texto propriamente dita, de livro impresso com páginas, lombada, capa, etc. A sua preocupação pode, no entanto (e muito mais provavelmente), cair sobre a sua relação com o texto, com o autor e a sua visão, e com o público que receberá.
O editor é responsável por escolher um livro e apresentá-lo a uma “audiência”, como se ele fosse uma personagem de teatro. A obra reage ao público da mesma maneira que este lhe reage a ela; há uma espécie de movimento inerente a qualquer esforço de comunicação que implica a tomada de posse de um texto, fala ou imagem pelos seus “receptores”. O editor deve mediar esta relação. Que espaço vai um livro ocupar na consciência partilhada de um grupo? O que é que ele poderá vir a significar? A visão de um autor, e a intenção de uma editor de a preservar, ganha aqui alguma importância, mas não é algo a que se tenha sempre acesso incondicional (se se lhe tem acesso de todo).
A visão do editor para uma obra é algo que existe para lá do livro como objeto. A “essência” de um livro existe para si na sua relação com aqueles que o lêem.
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