https://www.publico.pt/2017/12/13/culturaipsilon/noticia/dezanove-editores-recusam-livro-do-vencedor-do-premio-nobel-claude-simon-1795851
Ainda que pequeno, achei que o artigo do Público "Editoras recusam publicar a obra de Claude Simon (mas não sabiam que era do Nobel da Literatura)" oferece um caso de estudo para o que comentei previamente em relação à essência conflituosa da edição enquanto atividade tanto comercial como cultural. É apenas uma entre várias histórias de obras com potencial ou com efetivamente algum valor literário (que pode apenas ser entendido subjetivamente), e que são descartadas devido ao receio por parte do mercado editorial em arriscar e a tendência do mesmo em favorecer obras com apelo comercial. No cerne da questão encontra-se um dos grandes inimigos da literatura: a infantilização do leitor. "Frases extremamente longas", por exemplo, são atacadas pelo editor, o qual acredita estar a fazer um favor ao leitor comum, a poupar o mesmo e a facilitar a experiência de leitura. Ademais, este artigo demonstra o quanto a fama de um autor ou potencial para se tornar viral são importantes para cativar a atenção das editoras e realmente serem publicados. No fundo, estamos a presenciar o sacrifício crescente da qualidade em nome da "modernidade".
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