domingo, 5 de outubro de 2025

Juízos de valor/gosto na indústria editorial

 https://www.publico.pt/2017/12/13/culturaipsilon/noticia/dezanove-editores-recusam-livro-do-vencedor-do-premio-nobel-claude-simon-1795851

Ainda que pequeno, achei que o artigo do Público "Editoras recusam publicar a obra de Claude Simon (mas não sabiam que era do Nobel da Literatura)" oferece um caso de estudo para o que comentei previamente em relação à essência conflituosa da edição enquanto atividade tanto comercial como cultural. É apenas uma entre várias histórias de obras com potencial ou com efetivamente algum valor literário (que pode apenas ser entendido subjetivamente), e que são descartadas devido ao receio por parte do mercado editorial em arriscar e a tendência do mesmo em favorecer obras com apelo comercial. No cerne da questão encontra-se um dos grandes inimigos da literatura: a infantilização do leitor. "Frases extremamente longas", por exemplo, são atacadas pelo editor, o qual acredita estar a fazer um favor ao leitor comum, a poupar o mesmo e a facilitar a experiência de leitura. Ademais, este artigo demonstra o quanto a fama de um autor ou potencial para se tornar viral são importantes para cativar a atenção das editoras e realmente serem publicados. No fundo, estamos a presenciar o sacrifício crescente da qualidade em nome da "modernidade".

Editoras recusam publicar obra de Claude Simon (mas não sabiam que era do Nobel da Literatura)Editoras recusam publicar obra de Claude Simon (mas não sabiam que era do Nobel da Literatura)

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