quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Profissões do Livro, Jorge Manuel Martins


Profissões do livro

Editores e gráficos, críticos e livreiros

Jorge Manuel Martins


Jorge Manuel Martins, doutorado em Sociologia pelo ISCTE

  • Martins é sociólogo

  • Foi membro do conselho coordenador da comissão nacional da UNESCO

  • O livro resulta de uma investigação que também serviu como parte de tese acadêmica.

  • No momento do lançamento, era presidente do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB).

  • Investigação debruça-se sobre a sociologia da edição e difusão do livro em Portugal – as profissões que gravitam em torno do “livro” e os agentes, como editores, gráficos, críticos e livreiros, que nele participam.

O livro analisa o mundo editorial português — e também numa perspectiva global — centrando-se nas profissões do livro, quer dizer: nos agentes que produzem, imprimem, divulgam e vendem livros. Eis os principais tópicos:

  • Martins destaca que em Portugal há duas principais fraquezas: falta de dados estatísticos fiáveis sobre o mercado do livro e uma reduzida aposta na difusão/marketing dos livros.

  • Aponta para o impacto das novas tecnologias no livro e nas profissões associadas.

  • Apresenta a edição do livro como “rede” de profissões: se o editor, o gráfico, o crítico e o livreiro não «funcionam em rede», o livro pode não ter a vida que merecia.

Para quem está no mundo editorial, ou simplesmente se interessa por livros, este livro oferece:

  • Um panorama realista dos «bastidores» do livro em Portugal.

  • Reflexões que ajudam a pensar o livro não só como objecto literário, mas como produto cultural.

  • Ferramentas para compreender como as várias profissões interagem no mundo do livro 

Jorge Manuel Martins sublinha que a UNESCO teve um papel central na definição das políticas do livro a nível mundial, especialmente no pós-Segunda Guerra Mundial. O objetivo era fortalecer o livro como instrumento de cultura, educação e diálogo internacional.

Principais contribuições da UNESCO:

  1. Promoção da leitura e da alfabetização

    • A UNESCO incentivou a criação de planos nacionais de leitura e campanhas de combate ao analfabetismo, considerando o livro como meio essencial de acesso ao conhecimento.

    • Estes programas levaram muitos países, incluindo Portugal, a reconhecer a importância da leitura pública e das bibliotecas.

  2. Criação de estruturas de apoio ao livro

    • A UNESCO ajudou a fundar ou apoiar instituições nacionais do livro, como o Instituto Português do Livro e da Leitura (IPLL)

    • Estas entidades tornaram-se mediadoras entre autores, editores e Estado, procurando equilibrar a função cultural e a função económica do livro.

  3. Definição de normas e políticas editoriais

    • A UNESCO procurou uniformizar critérios de edição, catalogação, ISBN, direitos de autor e estatísticas do livro.

    • Essa normalização foi decisiva para que a indústria editorial internacional se estruturasse, permitindo trocas mais transparentes entre países.

  4. Apoio a feiras e redes internacionais

    • Incentivou a participação em feiras do livro (Frankfurt, Lisboa, etc.), fomentando o diálogo intercultural.

    • Apoiou ainda redes profissionais de editores, livreiros, tradutores e bibliotecários, com vista à profissionalização e formação técnica.

  5. O Livro como “instrumento de paz”

    • Martins recupera um conceito muito caro à UNESCO: o de que o livro é uma ferramenta de aproximação entre povos, não apenas um produto comercial.

    • Essa ideia sustenta a noção de “diplomacia cultural”, onde a literatura serve para criar compreensão mútua.

Além da UNESCO, Martins menciona outras entidades relevantes:

  • IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions) — importante no domínio das bibliotecas e acesso à leitura.

  • IPA (International Publishers Association) — representação global dos editores.

  • IBBY (International Board on Books for Young People) — especialmente relevante na promoção do livro infantil.

Em Portugal, ele destaca:

  • O papel do IPLL (depois IPLB) na recolha de dados e apoio à edição;

  • As associações de editores e livreiros (como a APEL), que tentam representar o setor perante o Estado e o público.




 

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