Na última aula foi iniciada uma livraria circulante, com livros facultados pelo professor. Da sua apresentação e da apreciação de propostas de contracapas de alguns colegas, passámos por algumas reflexões:
- Como um livro com uma capa e contracapa simples pode ser elevado com apenas dois elogios de pessoas importantes.
- Questão sobre onde o índice deve estar – no início ou no fim? Não há uma regra absoluta - depende do tipo de livro:
- Quando está no início, traz clareza e funcionalidade. Em livros mais técnicos, como um livro gastronómico ou científico, ou em livros com textos de vários autores, poderá fazer mais sentido esta disposição para orientar a pesquisa por temas ou autores específicos. Para além disso, por vezes, pode ser difícil encontrar a página do índice quando está no fim.
- O índice está no fim, quando não é relevante, como é o caso de poesia ou ficção, onde se pretende dar ênfase ao mistério. Há obras onde, inclusive, o índice no fim compõe o “ramalhete”.
- Lei do preço fixo: Em França os livros têm indicação do preço, para não permitir alterações. Esta regra foi criada por França para defender a igualdade entre pontos de venda. Portugal adotou este regime (que indica que o preço de um livro com menos de 24 meses não pode descer mais de 10%). Contudo, na prática, os grandes grupos encontram formas de se manter em vantagem face a pequenas livrarias.
- Sobre a tradução:
- É o resultado de tentativa erro, sendo importante definir balizas quando há dúvidas.
- Não há traduções perfeitas (ex: “Pet Shop Boys”): Ao traduzir o conteúdo, perde-se a forma. O objetivo é ser o mais fiel possível ao conteúdo e à forma, mas terá sempre de haver sacrifícios. Por isso se diz que “Todo o tradutor é traidor”.
- Sobre capa e contracapa:
- A regra de ouro é “Menos é mais”.
- Há títulos que, por agarrarem o leitor, podem ajudar na venda do livro. Por vezes títulos mais simples são mais eficazes.
- Uma capa deve conseguir chamar quem está ao longe, ser sedutora para quem compra e discreta para quem já comprou.
- Sobre edição/revisão de texto:
- Há várias formas de construir frases corretas em português. A escolha da forma mais adequada deve ser ponderada de acordo com o contexto.
- Há uma ordem sintática mais adequada a cada costume local, regional, linguístico ou a uma determinada época (ex.: atualmente, a frase parece mais cara quando o adjetivo surge antes do substantivo).
- As vírgulas podem ser opções rítmicas. É importante perceber qual é o ritmo da voz do autor a usar.
- O grande exercício do editor é reler e reler com distância. Há um exercício de edição e de auto edição.
Raquel Sousa
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