- A aula começou com uma referência à morte de José Afonso Furtado, ex-diretor da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian. Era considerado o “Borges do Twitter”, sendo um dos primeiros a entrar na “era digital” em relação ao livro. Utilizava a plataforma do Twitter para partilhar informação, demonstrando um conhecimento enciclopédico e curiosidade infinita.
- A qualidade e sofisticação de um artigo dependem do que se pretende comunicar, não exclusivamente do veículo usado.
- Por exemplo, o New York Times transmite legitimidade ao leitor independentemente do/a autor/a do artigo ou do que este/a tem para dizer; já vive num palácio de renome. Por outro lado, o Correio da Manhã provoca desdém no público, que considera este um jornal de “baixo calibre”.
- Ocorre uma melhor interação e troca de palavras/ideias quando há um entendimento/interesse mútuo.
4. O jogo dos papéis:
- A edição é um processo técnico e criativo que envolve diversas considerações críticas relativamente à tipografia, layout, material, conteúdo, e, importantemente, à capa.
- A capa, lombada e contracapa devem ser vistas como um todo— é sempre mais cativante haver uma certa continuidade entre todas.
- Geralmente é a capa que chama a atenção de um leitor e a contracapa que ajuda a ativar e aumentar a curiosidade do mesmo.
- A contracapa é um poema— ambos são textos curtos onde os erros não devem ser tolerados. Se, por exemplo, o leitor se depara com um erro gramatical na página 60, o mesmo não afetaria a experiência de leitura tanto quanto se o mesmo sucedesse na contracapa ou nas primeiras páginas.
- Textos são objetos complexos onde as diferenças superam as semelhanças; nunca são o mesmo para todos. Há diferentes pormenores que se devem ter em atenção dependendo do medium, mas o texto é sempre o mesmo e mais importante.
- O autor fornece uma ideia algo abstrata e figurativa do que imaginou para a sua obra, e cabe ao designer gráfico transformar isso em algo dinâmico que atraia público.
- O editor é uma espécie de aranha— está em contacto com o paginador, tradutor, revisador, comerciantes, marketing, design; vários braços de ligação com os vários cargos e responsabilidades dentro da indústria.
- Quem manda? Depende do tipo de texto. Se for texto literário, o autor está acima do editor; por outro lado, numa publicação periódica é o editor que está acima do autor. Que direito a interferir? Todo e nenhum.
- Exemplo de Gordon Lish como caso de estudo, editor conhecido por interferir profundamente na edição de um texto. Trabalhou com Raymond Carver, com quem partilhou uma relação controversa na história literária.
- Editor/ publisher— Lê/contribui, produz, serve muitas vezes como advogado tanto do leitor como do autor. Ler é a sua profissão, o editor é um leitor que vai lendo e apurando o seu gosto.
- Deve-se também ter uma ideia do editor como co-piloto e conselheiro, que ajuda a amansar o processo.
- Atualmente, as publicações tendem a ser orientadas de acordo com as tendências, como vampiros, etc. Especialmente com editoras mais comerciais, estas querem sempre os mesmos autores a escrever com as mesma fórmulas, pois sabem que funciona no mercado editorial.
- Sensitivity readers— são leitores especializados que revisam antes da publicação com o papel de identificar representações possivelmente problemáticas de grupos sociais e culturais, de forma a evitar estereótipos, preconceitos ou linguagem insensível.
- Uma das funções de editar é censurar.
- Surgiu a questão de adaptar/alterar livros nos dias de hoje devido a, por exemplo, palavras ofensivas que na época em que foram escritas seriam mais normalizadas.
- À partida, editores e livreiros são funções/profissões rivais.
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