Há umas semanas atrás, apareceu-me um vídeo de uma "influencer" nas redes sociais no qual mostrava a decoração que tinha comprado para a sua nova casa. Entre os vários objetos, mostrou umas caixas de cartão, vendidas pela Temu, que se montavam e ficavam tal e qual com o aspeto de uma pilha de livros. Quem olhasse para as caixas nunca diria que não eram livros até os tentar abrir. Satisfeita com aquele achado, colocou as caixas de cartão numa estante, por sinal repleta de jarras e estatuetas, mas sem qualquer livro exposto, e declarou que compraria mais no futuro para outro canto da casa.
Por muito que os verdadeiros leitores sejam cada vez menos, a ideia do livro enquanto objeto de valor e de ostentação parece manter-se viva (e em moldes cada vez mais bizarros como este). As pessoas gostam do aspeto estético do livro e ainda mais da ideia associada a quem os tem. As lojas de decoração vendem livros em capa dura, de aparência luxuosa e preço exorbitante para usar como centros de mesa; ter uma vasta coleção de livros expostos em casa continua a ser sinal de superioridade intelectual.
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