Ódio por Ele? - em bruto
Se as flores da Primavera me trouxessem a felicidade que deveriam
trazer, não estaria a desejar pisá-las. Da janela, são coloridas e mais troçam
de mim do que me acalentam. Como eu odeio as cores, a luz e a vida que têm. Adriana
Quanto mais beleza vazia eu encontro, mais ressentimento por ela
sinto. Como um moinho sem vento, ela não cumpre mais a sua função em mim. Diana
Porque será que me sinto assim? Queria poder apenas apreciar sem
ter encontrado conforto em odiar algo que talvez gostasse de ser. Inês
Mas talvez fosse essa a essência da vida: odiar algo. Afinal, não
são os inimigos comuns as melhores pontes entre dois aliados? Não se une mais
rapidamente o povo na crítica e não no aplauso? André
Está então decidido: odeio-o! Será o meu arqui inimigo! E porque
tão nobre decisão deve ser conhecida pelo mundo inteiro, marcámos a data de tão
grande celebração: o próximo dia 7 de Agosto. Ana
Será o dia em que irei comunicar o meu ódio ao mundo, numa bonita
cerimónia. Pois se as pessoas festejam o ato de comunicar a todos um grande
amor, porque não conferem igual dignidade a um grande ódio? Tiago
Se ao menos o ódio fosse suficiente: as flores irão florir da
mesma maneira. Adriana
A luz das coisas irá prevalecer, mesmo perante o meu magnífico
discurso de ódio. Diana
Na verdade, eu só queria ser tão viva como todas essas cores. Inês
Chegou o dia, 7 de Agosto, um dia que viverá na infame memória do
pasteleiro da minha rua. Porque são as cores dos bolos dele, as suas flores
coloridas, cheias de vida, e a doçura do seu açúcar que fez a minha vida
ciumenta, amarga e triste. Abri a porta da sua loja e gritei: André
— Amo-te e odeio-te num só momento!
Pensando friamente neste dia, gritar era tudo o que precisava
para diluir a minha dor. Ana
Mas um dos problemas da vida é que estes momentos de alívio se
diluem rapidamente. Mais dia, menos dia, tudo volta, quer seja bom, quer seja
mau. Tiago
A rejeição doeu-me. No final, estava certa em odiar, em gritar e abrir o peito ao mundo. Por mais que as flores floresçam da mesma maneira, parece que a vida para mim nunca terá cor, mas como disse a Bela: "Ódio por Ele? Não... não vale a pena..." Adriana
Ódio Por Ele? - editado
Se as flores da primavera me trouxessem a felicidade que deveriam,
não estaria a desejar pisá-las. Da janela do quarto, a sua placidez parece
troçar de mim. Como eu odeio as cores, a luz e a vida que têm. Quanto
mais beleza vazia encontro, mais ressentimento por ela sinto, como um moinho
sem vento que deixou de cumprir a sua função.
Porque será que me sinto assim? Queria poder viver sem o conforto
de odiar algo que talvez gostasse de ser, mas talvez seja essa a essência da
vida: odiar. Afinal, não são os inimigos comuns as melhores pontes entre dois
aliados? Não se une mais rapidamente o povo na crítica do que no aplauso?
Finalmente decidi que o odeio. Para que esta nobre decisão se fizesse
conhecer, marquei uma comemoração para o dia 7 de agosto. Seria o dia em que comunicaria o meu mais profundo ódio ao mundo. Se se festeja a declaração de um grande amor, porque não se
confere igual dignidade a um grande ódio? Se ao menos o ódio fosse suficiente:
as flores irão florescer da mesma maneira, a sua luz irá prevalecer e, admito, só
queria ser tão viva como as suas cores.
O que é certo é que o dia 7 de agosto ficará gravado na memória do pasteleiro da minha rua, porque foram as cores dos bolos dele, as suas flores cheias de vida
e a doçura do açúcar que tornaram a minha vida ciumenta, amarga e triste.
Abri a porta da pastelaria e gritei:
— Amo-te e odeio-te num só momento!
Pensando friamente, gritar era tudo o que precisava para diluir a
minha dor, mas um dos problemas da vida é que estes momentos de alívio se dissipam
rapidamente. A rejeição doeu-me. No final, estava certa em odiar, em gritar e
abrir o peito ao mundo. Por muito que as flores floresçam da mesma maneira,
parece que a vida nunca terá cor, mas como disse a Bela: "Ódio por Ele? Não... não vale a pena..."
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