quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

"Pequenino, pequenino", em bruto e editado

Em bruto:

Pequenino, pequenino

    Era uma vez um menino muito, muito pequenino, tão pequenino que os pais quase se esqueceram de lhe dar nome. Quase. O seu nome era José. (Beatriz Urbano)

    José Augusto, porque um bom português tem sempre um segundo nome próprio. (Maria Inês Alves)

    Na escola, era sempre o último a ser escolhido para as equipas, o último a ser chamado para brincar, às vezes, até se esqueciam de o procurar nas escondidas de tão pequenino que era. (Beatriz Esteves)

    Mas José Augusto não se importava. Ou, pelo menos, dava o seu melhor para que os outros pensassem que não se importava. (Carolina Lucas)

    Um dia, ao observar um jogo de futebol entre duas turmas, José Augusto leva com a bola na cabeça. E, bem, para José Augusto isto é o mesmo que ser atingido por um meteoro. Ele deixa-se cair, uma sensação estranha a formar-se no pequeno corpo. (Matilde Mateus)

    Levou algum tempo até que reparassem na sua queda. Mas eis que um braço se estende. José olha para cima e uma menina muito alta sorri para ele. (Sara)

    Ela levanta-o sem qualquer esforço e ajuda-o até à enfermaria. Com o braço esticado para não perder o apoio da menina José segue-a estupefacto. Chama-se Clara, diz-lhe. (Bárbara)

    Ora Clara, cada vez que dá um passo tem de esperar que José dê cinquenta e, enquanto caminham os dois, à vez, conta-lhe dos seus azares, semelhantes aos do menino. (Joana) 

    Mas a Clara tinha de falar muito alto, quase em proporção com a sua altura, senão o José Augusto não a ouvia — a distância entre os dois era maior do que a velocidade do som — e, por isso, chamou a atenção de todos no recreio. Formavam um par estranho, desproporcional, mas que até fazia sentido. A estranheza era tanta que, pela primeira vez na sua curta (e pequena!) vida, o José Augusto não ouviu piadas dos colegas, que observavam os dois amigos com curiosidade e algum fascínio. (Beatriz Urbano)


Editado (a 4 de março de 2026):

Pequenino, pequenino

    Era uma vez um menino muito pequenino, tão pequenino que os pais quase se esqueceram de lhe dar nome. Quase. Chamava-se José. José Augusto, porque um bom português tem sempre segundo nome.   

    Na escola era o último a ser escolhido para as equipas, o último a ser chamado para brincar... E às vezes, quando jogavam às escondidas, até se esqueciam de procurá-lo, de tão pequenino que era.   Mas o José Augusto não se importava (ou, pelo menos, dava o seu melhor para que os outros assim pensassem). 

    Um dia, enquanto via um jogo de futebol entre duas turmas, o José Augusto levou com a bola na cabeça. Como podem imaginar, para ele isso foi o mesmo que ter sido atingido por um meteoro. Deixou-se cair, uma sensação estranha a crescer no pequeno corpo.    

    Levou algum tempo até que reparassem na sua queda... Mas eis que um braço se estendeu na sua direção. O José Augusto olhou para cima e viu que uma menina muito alta sorria para ele.  

    Ela levantou-o sem qualquer esforço e ajudou-o a andar. Com o braço esticado, para não perder o apoio da menina, o José Augusto seguiu-a, estupefacto. O seu nome era Clara, disse-lhe ela. 

    Enquanto caminhavam (à vez, porque sempre que a Clara dava um passo, tinha de esperar que o José Augusto desse cinquenta), ela contou-lhe os seus azares, semelhantes aos do menino. Só que ela tinha de falar muito alto, quase em proporção com a sua altura, senão o José Augusto não a ouvia (a distância entre os dois era maior que a velocidade do som) e, por isso, chamou a atenção de todos no recreio.  

    Formavam um par estranho, a Clara e o José Augusto, desproporcional, mas que até fazia sentido. A estranheza era tanta que, pela primeira vez na sua curta (e pequena!) vida, o José Augusto não ouviu piadas dos colegas, que observavam os dois amigos com grande curiosidade e admiração. E assim foram, juntos, até à enfermaria, onde a Clara o ajudou a subir um único degrau. 

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