Em bruto:
Parece que estamos a viver no fim
dos tempos, no entanto a urgência do quotidiano não termina. Foi assim que
imaginaram o colapso? Pessoalmente, acho um bocado cansativo o fim da
civilização às prestações. (Rita)
Podia explodir tudo de uma vez!
Talvez fosse mais divertido ver o circo pegar fogo… (Raquel)
Ainda assim, há uma certa beleza
na lentidão do fim dos tempos. É sempre mais saboroso deliciar algo
devagarinho, tendo plena consciência de que, no final, algo horrível irá
acontecer. De outra forma, o ser humano não conseguiria romantizar o seu fim. (Lúcia)
É como mascar uma goma que no
final nos deixa aquele sabor agridoce na língua. Deliciamo-nos com ela até
terminar, e tudo o que fica são as consequências. Honestamente, pensei que o
fim do mundo fosse visto como uma tragédia, mas cada vez mais parece esperança.
(Inês M.)
Por vezes penso que se a vida é
um carrossel quero continuar a rodar. A ver os dias passar, a saborear as guloseimas
do mundano. Por vezes quero desmontar e sair. Será agora? Mas estarei
satisfeita com as voltas que dei? Fui realmente eu que decidi por os pés no
chão ou foi o carrossel que parou? (Catarina)
Será desta que o fim chegou? Se
nada mais nos resta, vou meditar e espera pela hora de dizer adeus. (Filipa B.)
Ou então dançar até me doerem os
pés. Sugar o que resta do tutano da vida. Se não houver amanhã, que importará?
(Rita)
Editado:
Tudo indica que estamos a existir no fim dos tempos, no entanto, a urgência do banal impera sobre todos os momentos. Foi assim que imaginaram o colapso?
É extenuante viver o fim da civilização faseadamente. Podia estourar já… talvez fosse mais interessante ver tudo a desmoronar de uma só vez.
Ainda assim, há dignidade na
lentidão do fim. É sempre mais palatável saborear devagarinho, tendo em
consciência que, no final, algo tenebroso acontecerá. É como mascar uma
pastilha, deliciamo-nos até restar apenas um travo amargo.
Esta vida é um carrossel: quero
continuar a rodar? Ver dias a passar, aproveitar as tentações mundanas? Quero
desmontar e sair? Estou satisfeita com as voltas que dei? Vou ser quem decide pôr
os pés no chão ou será o engenho a parar?
Se nada mais restar, reflito enquanto
aguardo a despedida, ou danço até à exaustão e aproveito o que posso até tudo desaparecer. Se não houver amanhã, que importa?
Sempre pensei o apocalipse como uma
tragédia, mas pode ser um sinal de esperança, do devir. Afinal, também lhe chamam revelação. Se assim for, consigo idealizar o fim.
Reeditado (versão em verso):
O fim dos tempos.
A urgência absurda do banal.
Colapso faseado, extenuante.
Quando tudo parar, finalmente,
Ideia tenebrosa e lúcida
Restar-nos-á dignidade?
Ou apenas um travo amargo na boca
Depois de tanto mascar questões
existenciais,
As únicas que parecem fazer
sentido.
Ver os dias a passar, e a
tragédia.
Continuar a dançar, ceder às
tentações.
Sem razão, sem motivo.
O apocalipse, revelação.
O devir, nova génese.
Não finda. Tanto sabemos.
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