Sonhos Fervorosos
Reparei que a água estava turva e decidi que não a iria beber. Apesar da sede, nada me convenceria de que aquela água não estava contaminada. E, por isso, deixei-me simplesmente morrer lentamente, sentado no chão moribundo da estação de serviço. (Sara)
Não sabia que horas eram quando parei de ouvir pingar. Esse silêncio momentâneo e inconveniente despertou-me pelo que percebi que o sangue tinha estancado. Desajeitadamente levantei-me e segui à procura de saída. (Bárbara)
Os braços pesavam-me, empurrando o meu corpo na direção do chão, e uma perna arrastava-se atrás da outra. Não distinguia qual delas. Conseguia distinguir sons apenas: pacotes de fritos a serem atirados para cestas, o tilintar das moedas na caixa, mas nenhuma voz por detrás desta, nenhum passo. (Joana)
Estaria eu no purgatório? Não sabia, mas também já não me importava. Tudo o que me importava era sair e livrar-me do barulho. (Beatriz Urbano)
E assim, num ápice, deixo de ouvir qualquer barulho. Timidamente, falo, e não ouço. Berro, mas não ouço. Nada. (Maria Inês Alves)
Começo a entrar em pânico. Num mundo sem som como posso pedir ajuda? Como me podem acudir? (Beatriz E.)
Tentei encontrar alguém. Alguém que estivesse preso comigo neste mundo silencioso. Era impossível que estivesse sozinho. (Carolina Lucas)
De repente, observo através de olhos desfocados e em penumbra um grupo de pessoas a reunir-se à minha volta. De onde vieram tantas pessoas? Já nem sei se estou a acordar ou a adormecer. (Matilde Mateus)
Adormeci. De súbito, já não estava num mundo feito de silêncios e distopia. Quando os meus olhos se abriram, era só eu e a cama do hospital. (Sara)
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