sexta-feira, 17 de abril de 2026

Ansiedade ao rubro - versão final

 Hoje, acordei cedo e preparei-me para uma entrevista de emprego. Vesti a minha roupa mais profissional. Despedi-me do meu gato e caminhei até à paragem de autocarros.

Qual não foi o meu espanto quando percebi que a paragem não existia. Simplesmente, já não circulavam autocarros em Portugal!

Instalou-se o pânico em mim. Lembrei-me dos ensinamentos daquele livro de meditação que li há uns meses e respirei fundo. Apercebi-me de que não queria saber daquele emprego. É mais importante ter saúde e um gato que me espere todos os dias à porta. Foi, então, que me ocorreu que tinha deixado a janela aberta.

Naquele momento, tudo o que aprendi com o livro de meditação já tinha ido pelos ares. A ansiedade e o stress haviam tomado conta de mim e já não me sentia eu mesma.

Porém, lembrei-me do que o meu ídolo me disse e que me ajudou a ultrapassar momentos difíceis,: "Posso não ser o melhor, mas na minha cabeça sou". Como o melhor do mundo, corri de volta a casa. No meio de toda esta confusão, esqueci-me de que o caminho de volta era íngreme e a minha resistência estava nas últimas. Não corri mais do que um par de metros e já não conseguia respirar.

Lembrei-me de uns exercícios para a ansiedade que vi num vídeo do TikTok e consegui-me acalmar. Já não tinha interesse naquele emprego, decidi ir ao lago dos peixinhos, que ficava perto de casa.

- Então e o gato?! - perguntou a voz da minha cabeça.

- O gato fugiu pela janela! - pensei, angustiada.

Foi, então, que, ao chegar ao lago, o descobri sem peixinhos e o que parecia ser o último sobrevivente, estava na boca do meu gato!

- SIMBA!! - gritei desesperada, ao ver o meu gato laranja e gordo a almoçar os peixes do lago. Consegui agarrá-lo e pô-lo no meu colo, onde, após encher o bucho, escolheu dormir. O seu ronronar trouxe-me paz.

Paz era aquilo que eu mais procurava naquele momento. Só eu e o meu gato.

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