segunda-feira, 13 de abril de 2026

Exercício 13: Capas e Contracapas

 No âmbito do exercício proposto, fotografei algumas capas e contracapas que considero ilustrativas dos aspetos que me chamam à atenção, tanto de forma positiva quanto negativa, num exemplar.

Para iniciar, apresento a edição da Tinta-da-China do livro Depois a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi. A capa, simples e ilustrativa do conteúdo da obra, aborda situações autobiográficas em que a autora se confronta com o uso de comprimidos para lidar com os transtornos da sua vida, utilizando o humor para descrever experiências tão complexas. Assim, a ilustração da caixa de comprimidos e o título do livro, juntamente com o nome da autora, destacam-se de forma adequada, assemelhando-se ao nome de um medicamento e à sua administração, estando bastante proporcionais e com o destaque adequado

Na badana anexa à capa, encontra-se uma citação que expõe, desde logo, uma boa parte da temática do livro e apresenta uma agradável mancha gráfica. A contracapa contém uma sinopse concisa e que caracteriza de maneira excelente o livro, mantendo o texto no formato da parte posterior de um frasco de comprimidos, como na capa. Na outra badana, há uma breve biografia da autora, que considero essencial e que faz todo sentido encontrar-se nesta.











Para uma segunda análise, decidi trazer duas capas que considero bastante atrativas, do mesmo livro e da mesma editora, Dom Quixote, para existir um claro termo de comparação. A primeira capa, datada de 2016, opta pela versão estrangeira, que ilustra brilhantemente a obra. Esta fotografia é já de uma reedição após Han Kang ter recebido o Prémio Nobel em 2024, indicado no topo da capa. A disposição do título e do nome da autora está perfeita, com o destaque certo, ando até uma certa ilusão de profundidade; no entanto, não aprecio a indicação de que se trata de um romance vencedor do Man Booker International Prize, pois não considero adequada a sua localização nem formatação, que apresenta “Romance” numa linha e o restante na linha inferior. Substituiria, de maneira a que essa informação aparecesse no canto superior, alinhada com a menção ao Prémio Nobel.

Relativamente à contracapa e às badanas, considero que estão excessivamente carregadas. Removeria os comentários excessivos da contracapa e incluiria uma sinopse, proporcionando mais espaço à badana anexa à capa, na qual manteria a biografia da autora. As apreciações do livro poderiam ser incluídas de qualquer forma na badana anexa à contracapa, sendo escolhidas as mais “importantes” ou chamativas.

No que diz respeito à edição de 2025, a capa é substancialmente mais vibrante, mas transmite uma ideia fiel do livro. Prefiro a simplicidade desta versão, assim como das suas badanas e contracapa. Como pormenor a melhorar nas badanas, sugeriria uma transição gradual da cor vermelha, em vez da mudança abrupta de um vermelho intenso para um branco claro, especialmente porque há espaço para esta.







 

 






Em contraste, apresento um exemplo de uma capa que avalio negativamente de uma edição da Alma dos Livros. Em primeiro lugar e menos importante, não a considero esteticamente apelativa; em segundo, as proporções parecem desajustadas e a composição revela excesso de informação desnecessária. A capa inclui o título “Mr. Masters”, o subtítulo “As leis do desejo” e ainda a frase “O prazer tem as suas próprias regras”. Na linha inferior ao nome da autora surge a expressão “o fenómeno internacional”, o que é bastante redudante, tal como o autocolante no topo que indica tratar-se de um número um em Portugal e bestseller internacional. Para além disso, apresenta ainda uma cinta promocional que repete essa informação e acrescenta algumas palavras sobre o livro que pouco contribuem.

A contracapa constitui outro exemplo de excesso informativo: embora inclua a sinopse, apresenta também várias frases chave em destaque, resultando numa composição pouco coerente. As badanas são, assim, o elemento mais equilibrado, contendo apenas a biografia da autora e a listagem das suas obras.




Para terminar, destaco uma edição de um “pequeno” livro de poesia da Orfeu Negro, que considero digna de nota, por apresentar, a meu ver, a capa e a contracapa mais bem concebidas entre os exemplos analisados. A ilustração é excecional, e a colocação do título e do nome do autor em cantos opostos, sobre áreas claras, revela-se equilibrada e visualmente eficaz. A composição é harmoniosa e proporcional, sendo ainda de salientar a integração do símbolo da editora, bem conseguido tanto na posição como na escolha cromática.

Na contracapa, surge no topo um breve verso em destaque, que representa adequadamente a poesia de Elvis Guerra. Ainda assim, seria preferível uma amostra mais extensa do texto poético, em vez do excerto da nota de André Tecedeiro, que poderia ser substituído por uma simples indicação, como “Posfácio por André Tecedeiro”, que já existe. A inclusão de uma breve biografia e a menção de se tratar de uma edição bilingue são pertinentes. Os créditos de tradução e do posfácio são também importantes e contribuem para um preenchimento discreto e organizado da página.

Importa, por fim, referir que não é apenas a capa que se destaca: trata-se igualmente de uma obra que merece ser lida e de que gostei de maneira especial.

 

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