No outro dia estava na Fnac e deparei-me com a secção de livros da Lusofonia.
Todos os autores que estavam apresentados eram portugueses. Praticamente não tinha nenhum autor lusófono que não seja português.
A Lusofonia não é só Portugal, mas também as ex-colónias. Essas ex-colónias também um contexto histórico e político que deve ser aprendido. A literatura, por vezes, não é só uma história, também é resistência.
Porque que durante os meus anos escolares antes da licenciatura, só dou autores portugueses, se Portugal tem um passado histórico com outros países. Porque não aprendo obras que apresentam uma perspetiva diferente da eurocêntrica?
Durante a minha licenciatura, acontecia em quase as disciplinas, só termos a perspetiva de Portugal, seja nas artes ou na literatura.
Como, por exemplo, em Arte da Lusofonia só temos pinturas, arquiteturas portuguesas. Ou Textos de Relações Lusófonas em que falamos sobre obras na altura da expansão marítima, só eram obras em que era a perspetiva dos portugueses sobre os povos que visitavam.
A única disciplina que tive e que estudei outros autores sem ser os portugueses foi em Literaturas e Culturas Lusófonas II em que demos autores africanos e mesmo assim não conseguimos abordar todos os autores que fazem parte da lusofonia.
Penso que deveríamos aprender e abordar outros autores/escritores que não fazem parte de Portugal. Também deveria ter mais iniciativas e projetos focados para esses autores.
Eu sei que existe, a Festa do Livro, no Palácio de Belém, que é focado só para autores da Lusofonia, mas sempre que vou lá, desde 2019, eu não vejo tantos livros de outros autores, fora os portugueses. Mesmo os debates que há durante a Festa, não vejo debates que estejam autores africanos, brasileiros e timorenses.
Talvez esteja errada e só esteja desinformada. Só é a minha perspetiva deste assunto.
Agora restam três perguntas:
Por que não há espaços para outros autores lusófonos?
Por que não o lemos?
Eu, como editor, o que posso fazer para tentar mudar essa visão?
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