terça-feira, 3 de março de 2026

A Raiva (texto em bruto)

A Raiva (texto em bruto)


Naquela manhã o autocarro não passou às oito horas. Nem dez nem vinte minutos depois. O que, para todos os efeitos, não lhe teria feito diferença, pois vinte horas antes havia sido despedido. (Carolina Buxo) 

Aquilo que seria apenas mais um dia normal da sua rotina, deixou de o ser, afinal, a sua vida acabara de mudar completamente. Por qual motivo aquele homem ainda deverse se preocupar? (Gabriel Alves)

“Agradecemos o seu contributo ao longo destes anos, porém não nos é mais necessário. Muito obrigado.” Simpatia empresarial, para ele apenas uma maneira chique de o despacharem. E agora? Qual seria o seu próximo passo? (Diogo Moreira)

Deixou-se ficar sentado na paragem de autocarro, enquanto outros iam e vinham seguindo as suas vidas. Não tinha para onde ir, levantar-se naquela manhã foi apenas um reflexo de anos preso àquela rotina. (Andreia Branco)

Decidiu, então, caminhar, passar pelos sítios onde foi mais feliz. Onde sentiu-se mais vivo. E assim conseguiu tomar uma decisão. (Rita Gaspar)

Chamou um táxi e foi para o seu (agora) antigo trabalho. Foi feliz nas ruas onde passou, mas era, definitivamente, mais feliz nas paredes sufocantes da empresa. (Matilde Cabana)

Cumprimentou o seu antigo colega que detestava, e deu-lhe um murro. (Alexandra Gutu)

- Agora voltas ao escritório e pedes uma baixa, Armando. Pode ser que voltem a precisar de mim! (Carolina Buxo)

Continuou pelo escritório adentro e foi à sala de refeição, onde costumavam almoçar. Agarrou na primeira faca que viu e, ao entrar brutamente no gabinete da sua antiga supervisora, desferiu-lhe três golpes na barriga. (Gabriel Alves)

- Afinal os cortes no pessoal passam primeiro por ti, não é? Isso é que é dar sangue, suor e lágrimas pela empresa!

Correu porta fora em busca do diretor da empresa. (Diogo Moreira)

O diretor, já a par da situação, esconde-se debaixo da sua secretária. Pensou que se Alberto não o visse, simplesmente se fosse embora. (Andreia Branco)

Agarrou no diretor e disse:

- Agora vais transferir todo o teu dinheiro para mim, seu cabrão mal amado! (Rita Gaspar)

E o diretor assim fez. Alberto era agora um homem rico, mas com problemas na justiça. (Matilde Cabana) Teve de pagar vários advogados, o que o levou de volta à estaca zero. (Alexandra Gutu)

Eram agora de novo oito horas da manhã e Alberto, sem um tostão no bolso, precisava de ir a uma entrevista de emprego. Foi assim que, num pujante ato de coragem, decidiu-se:

- Estou farto deste autocarro, vou mas é a pé! (Carolina Buxo)


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