quarta-feira, 4 de março de 2026

"Pensamentos da Manhã, Mais um Gole" bruto e editado

    Dorothy começa as suas manhãs com um copo de vodka. É possível que isto seja um problema, mas sendo que esta tem dois empregos para pagar a renda, tenta não pensar muito no assunto. Só depois é que toma café. (Maria Inês Alves)

    Tem dias que apenas um copo não chega, e a garrafa que já estava a meio torna-se mais vazia. Mas não tão vazia como ela se sentia. (Beatriz Esteves)

    Porque quem raios aos 36 ainda tem dois empregos? A Dorothy de 20 estaria decepcionada. (Carolina Lucas)

    Se calhar devia fugir e tornar-se freira; podem ter uma vida bastante monótona, mas pelo menos têm um propósito. Sim, vamos embora daqui amanhã e adotar uma vida em seclusão, a balbuciar disparates que servem para confortar pessoas como ela! Que mais pode ela fazer? (Matilde Mateus)

    O travo amargo do último gole de café assenta na sua boca e, com ele, desce de volta à realidade. Todos somos infelizes, corpos ausentes que se vendem ao trabalho na esperança de se tornarem um pouco mais. No seu caso, que mais lhe traria ser telefonista e empregada de mesa? (Sara)

    Há uma semana que John não aparece em casa. Tinha-lhe prometido que o trabalho na papelaria seria para ajudar em casa, mas agora, ao notar as garrafas vazias, percebe que o filho não vai voltar. (Bárbara)

    Sempre que o telefone toca tem esperança que seja ele. É nessas raras ocasiões que quase deixa cair a garrafa para pegar a toda a força e com as mãos quase a tremer no raio do aparelho. Mas acaba sempre por ser o bronco do Robert. (Joana)

    Ora aí está um bom motivo para se tornar freira. Assim já não teria de aturar o ex-marido que a traiu com a sua própria mãe. (Beatriz Urbano)

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     Dorothy começa as suas manhãs com um copo de vodka. É possível que isto seja um problema, mas sendo que esta tem dois empregos para pagar a renda, tenta não pensar muito no assunto. Só depois é que toma café.

    Nalguns dias, um copo não chega, e a garrafa que já estava a meio torna-se mais vazia. Embora, não tão vazia como ela se sentia.

    Porque quem raios aos trinta e seis ainda tem dois empregos? A Dorothy de vinte anos estaria decepcionada. 

    Se calhar devia fugir e tornar-se freira; podem ter uma vida bastante monótona, mas pelo menos têm um propósito. "Sim, vou embora daqui amanhã e adoto uma vida em seclusão, a balbuciar disparates que servem para confortar pessoas como eu! Que mais posso eu fazer?"

    O travo amargo do último gole de café assenta na sua boca e, com ele, desce de volta à realidade. Todos somos infelizes, corpos ausentes que se vendem ao trabalho na esperança de se tornarem um pouco mais. No seu caso, que mais lhe traria ser telefonista e empregada de mesa?

    Há uma semana que John não aparece em casa. Tinha-lhe prometido que o trabalho na papelaria seria para ajudar com as contas. No entanto, ao notar as garrafas vazias, percebe que o filho não vai voltar. 

    Sempre que o telefone toca tem esperança que seja ele. É nessas raras ocasiões que quase deixa cair a garrafa para pegar, a toda a força e com as mãos quase a tremer, no raio do aparelho. Mas acaba sempre por ser o bronco do Robert. 

    Ora aí está um bom motivo para se tornar freira. Assim já não teria de aturar o ex-marido que a traiu... com a sua própria mãe.

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