Uma Folha Sem Nome
Num dia raivoso, em que as árvores se abanavam todas e o mar quebrava em ondas, uma pequena folha está em risco de cair.
Esta pequena folha não tem nome, pois claro, mas não pelas razões que acham. Ela podia muito bem ter um nome, se não fosse pela tragédia de há apenas dois dias: uma grande trovoada soprara e levara os amigos e família da pequena folha.
Acabadinha de nascer, a nossa amiga vê-se sem pais, sozinha e desamparada. E assim começa a nossa história.
Voltemos ao presente. A pequena folha treme, tirita, e agita-se, como se estivesse a fazer a dança do vento. Ainda é nova neste mundo tão cruel, sente-se assustada e impotente. Do nada, algo lhe toca, grosso e cheio de calos, como o tronco de uma árvore, mas mais plano e macio. Surpresa com esta novidade estranha, a pequena folha sente uma dor e solidão inesperada. Triste, a pequena folha desmaia.
Quando acorda, a pequena folha não sabe onde está. Tudo lhe é desconhecido e curioso. Já não treme, nem tirita, nem se agita, porque o ar não é fresco nem bravo, mas pesado. Não se consegue mexer, sente-se pegajosa e presa. Agora no escuro, a pequena folha reúne-se com todos os que a deixaram sozinha, e solta um único suspiro agridoce.
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